Jonas o sal que não queria salgar
Introdução
Jesus disse aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra” (Mateus 5.13). Essa declaração carrega verdades profundas sobre a identidade e a missão do cristão. O sal é um elemento essencial para a preservação, para dar sabor e para purificar. No entanto, o que acontece quando o sal perde o seu sabor? O que acontece quando aquele que foi chamado para ser sal recusa a sua missão? A história do profeta Jonas nos oferece um exemplo poderoso de um homem que foi chamado para ser sal, mas que tentou fugir da sua responsabilidade. Nesta pregação, vamos aprender com Jonas como não desperdiçar o chamado de Deus para nossa vida.
O chamado do sal
Mateus 5.13: Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.
Jesus não disse “vocês deveriam ser” ou “um dia vocês serão”. Ele disse: “Vós sois”. O cristão já é sal da terra. Essa é a sua identidade. O sal tem propriedades únicas: preserva, dá sabor e purifica. Da mesma forma, o cristão é chamado para preservar a verdade, dar sabor ao mundo com o amor de Cristo e purificar a sociedade com a justiça de Deus.
- O cristão já é sal da terra por sua identidade em Cristo.
- O sal tem função de preservar, dar sabor e purificar.
- A identidade do cristão é inegociável e irrevogável.
1 Pedro 2.9 – Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
Pedro amplia a revelação de Jesus. Não somos apenas sal; somos raça eleita, sacerdócio real, nação santa. E o propósito desse chamado é proclamar as virtudes de Deus. O sal não existe para si mesmo; ele existe para cumprir sua função.
O chamado do sal é para proclamar as virtudes de Deus.
- A identidade do cristão é acompanhada de uma missão.
- A função do sal é ser útil ao Reino de Deus.
Jonas: o chamado e a fuga
Jonas 1.1: 2 – Veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.
Deus deu a Jonas um chamado específico: ir a Nínive e clamar contra a cidade. Nínive era a capital da Assíria, o maior inimigo de Israel. Jonas tinha razões humanas para não querer ir, mas Deus o chamava para ser sal naquela nação inimiga.
Jonas recebeu um chamado específico.
- O chamado envolvia ir a um lugar hostil.
- A missão de Jonas era proclamar a mensagem de Deus.
Jonas 1.3: Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR, para Társis; e, tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR.
A palavra de Deus dizia “vai”, e Jonas foi na direção oposta. Ele pagou passagem para Társis, que ficava na direção oposta de Nínive. O caminho para a desobediência sempre parece mais fácil e mais conveniente.
- A desobediência sempre começa com uma escolha contrária.
- O caminho da fuga parece mais fácil, mas é mais perigoso.
- Há sempre um navio indo para Társis quando decidimos fugir.
As consequências da desobediência
Jonas 1.4: 5 – Mas o SENHOR lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar. Então, os marinheiros, cheios de medo, clamavam cada um ao seu deus e lançavam ao mar a carga que estava no navio, para o aliviarem do peso dela. Jonas, porém, havia descido ao porão e se deitado; e dormia profundamente.
A fuga de Jonas trouxe consequências terríveis. O navio estava a ponto de se despedaçar. Enquanto os marinheiros pagãos clamavam aos seus deuses, Jonas dormia no porão. A desobediência nos faz perder a vontade de viver e nos torna inúteis para o Reino.
- A desobediência traz consequências para nós e para os outros.
- O sal que foge do seu chamado perde a sua função.
- A apatia espiritual é um sintoma da fuga de Deus.
Jonas 1.8: 10 – Então, lhe disseram: Declara-nos, agora, por causa de quem nos sobreveio este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual a tua terra? E de que povo és tu? Ele lhes respondeu: Sou hebreu e temo ao SENHOR, o Deus do céu, que fez o mar e a terra. Então, os homens ficaram possuídos de grande temor e lhe disseram: Que é isto que fizeste! Pois sabiam os homens que ele fugia da presença do SENHOR, porque lho havia declarado.
Jonas confessou que era hebreu e que temia ao Senhor, mas suas ações contradiziam suas palavras. Ele dizia temer a Deus, mas fugia da sua presença. Os pagãos ficaram indignados com a irresponsabilidade do profeta.
- Palavras sem ações são vazias.
- A confissão de fé sem obediência é contraditória.
- Os pagãos muitas vezes têm mais temor a Deus do que seus filhos.
- O paradoxo: Deus usa até mesmo a desobediência
Jonas 1.14: 16 – Então, clamaram ao SENHOR e disseram: Ah! SENHOR! Rogamos-te que não pereçamos por causa da vida deste homem, e não faças cair sobre nós este sangue, quanto a nós, inocente; porque tu, SENHOR, fizeste como te aprouve. E levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar; e cessou o mar da sua fúria. Então, os homens temeram grandemente ao SENHOR, e ofereceram sacrifícios ao SENHOR, e fizeram votos.
Mesmo na fuga, Deus usou Jonas para levar conversão àquela tripulação. Os marinheiros pagãos se converteram ao Senhor. Isso mostra que Deus é soberano e pode usar até mesmo a nossa desobediência para cumprir os seus propósitos, mas de uma forma muito mais traumática.
- Deus é soberano e cumpre seus propósitos.
- Deus pode usar até mesmo nossa desobediência.
- É melhor obedecer do que passar pelo trauma da correção.
A restauração do sal
Jonas 2.1: 2 – E orou Jonas ao SENHOR, seu Deus, do ventre do peixe; E disse: Na minha angústia clamei ao SENHOR, e ele me ouviu; do ventre do inferno gritei, e tu ouviste a minha voz.
No ventre do grande peixe, Jonas finalmente se arrependeu. Ele clamou a Deus, e Deus o ouviu. O sal estava sendo restaurado. A restauração começou quando Jonas reconheceu sua condição e clamou por misericórdia.
- O arrependimento é o primeiro passo para a restauração.
- Deus ouve o clamor dos que se arrependem.
- O sal pode ser restaurado quando volta para Deus.
A obediência final
Jonas 3.1: 3 – Veio a palavra do SENHOR, segunda vez, a Jonas, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo. Levantou-se, pois, Jonas, e foi a Nínive, segundo a palavra do SENHOR.
Deus deu a Jonas uma segunda chance. E dessa vez, Jonas obedeceu. Ele foi a Nínive e proclamou a mensagem de Deus. A cidade se arrependeu e foi poupada.
- Deus é Deus de segundas chances.
- A obediência traz vida e restauração.
- O sal cumpre sua missão quando obedece.
- Conclusão
Jonas foi chamado para ser sal em Nínive, mas tentou fugir. Sua desobediência trouxe tempestades, perigo e sofrimento. No entanto, Deus não desistiu dele. Ele o restaurou e o usou poderosamente. A história de Jonas nos ensina que somos o sal da terra, e essa identidade é irrevogável. Podemos tentar fugir, mas Deus nos alcançará. A questão não é se Deus vai nos usar, mas como: será através da nossa obediência ou através do nosso sofrimento? A escolha é nossa.
Aplicação prática
Faça uma reflexão sincera sobre sua vida:
- Estou sendo sal onde Deus me colocou?
- Estou em processo de fuga, como Jonas?
- Estou dormindo no porão da apatia espiritual?
- Tenho usado desculpas para recusar meu chamado?
- O que tem me enclausurado e me impedido de cumprir minha missão?
- Como estou reagindo às situações que Deus permite em minha vida?
Hoje é o dia de se deixar restaurar pelo poder de Deus. Não importa o grau de contaminação ou o quanto você está “estragado”. Deus quer restaurar o seu sabor, reavivar o seu chamado e enviá-lo para cumprir a sua missão. Volte para Deus, obedeça ao seu chamado e seja o sal que Ele sempre quis que você fosse.
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