Escolha que temos que fazer

Escolha que temos que fazer

Texto Base: Gênesis 13:7-13 e Romanos 6:12-14

Introdução

Todos os dias somos confrontados com a necessidade de tomar decisões. Algumas parecem pequenas, outras moldam os nossos próximos anos. Mas o fato espiritual que precisamos entender hoje é: você é um instrumento ou um enfeite na Casa de Deus?

Um enfeite é algo estático, feito apenas para ser olhado. Ele serve para chamar a atenção sobre si mesmo, para ornamentar um ambiente, mas não tem utilidade prática. Já um instrumento é uma ferramenta viva. Ele possui uma finalidade específica e foi desenhado para ser usado pelas mãos do seu dono para alcançar um objetivo, um fim desejado.

Deus nos deu o livre-arbítrio, mas o uso que fazemos dessa liberdade define se seremos instrumentos de justiça ou apenas enfeites vazios. O apóstolo Paulo destaca essa urgência de posicionamento:

Romanos 6:12-13 — “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas concupiscências; nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressuscitados dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.”

Se somos verdadeiramente nascidos de novo, as nossas escolhas diárias devem refletir o nosso testemunho cristão.

1. O Verdadeiro Propósito da Salvação

Muitas vezes, a mentalidade contemporânea molda uma ideia egoísta e egocêntrica de que a salvação gira em torno do homem. Pensamos que Deus nos deve favores e bênçãos materiais. No entanto, a Bíblia nos mostra que a salvação foi projetada segundo o propósito e a soberana vontade do Criador.

Romanos 8:28 — “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”

A salvação não visa a nossa própria exaltação, mas a glória de Deus. Fomos resgatados para uma vida útil de serviço e retidão.

Efésios 2:7 e 10 — “Para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. […] Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.”

A palavra grega para feitura no versículo 10 é poiema, que significa obra-prima, algo feito com intenção e arte. Fomos formados e ordenados por Deus para praticar o bem. As escolhas que fazemos como crentes determinam se o propósito de Deus está sendo cumprido ou bloqueado em nossas vidas.

2. As Grandes Escolhas da Vida Humana

Ao longo da nossa existência, o nosso destino é traçado pelas decisões que tomamos em quatro áreas fundamentais:

  • Escolhemos a nossa reputação (O nosso nome): > Provérbios 22:1 — “Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro.” A sua reputação é o resultado acumulado das escolhas éticas e morais que você faz no oculto e no público.

  • Escolhemos as nossas associações (As nossas companhias): Moisés fez uma escolha radical de associação ao rejeitar os privilégios do palácio do Faraó para se identificar com a dor do povo de Deus. > Hebreus 11:24-25 — “Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, permitindo antes ser maltratado com o povo de Deus do que usufruir prazeres transitórios do pecado.”

  • Escolhemos o nosso destino eterno (A salvação): A salvação é um convite individual. Jesus confrontou os discípulos com perguntas pessoais: “Que pensais vós do Cristo?” (Mateus 22:42) e perguntou ao enfermo no tanque: “Queres ser curado?” (João 5:6). Ninguém é salvo por tabela ou pela fé dos pais.

  • Escolhemos a quem servir: > Josué 24:15 — “Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais… Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” É aqui que decidimos se seremos ferramentas úteis na colheita ou apenas enfeites de banco de igreja.

3. Anatomia de uma Má Escolha: O Exemplo de Ló

Ló era sobrinho de Abraão, cresceu debaixo do teto de um homem de altar e aprendeu o caminho da piedade. Contudo, quando teve a oportunidade de andar pelas próprias pernas, revelou a fragilidade do seu caráter através de péssimas escolhas.

A. A escolha de Ló envolveu apenas a visão carnal e o humanismo

Gênesis 13:10 — “Levantou Ló os olhos e viu toda a planície do Jordão, que era toda bem regada, antes de ter o Senhor destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar.” Ló escolheu o que parecia vantajoso para si mesmo. Ele ignorou o direito do seu tio idoso, não buscou a orientação de Deus em oração e praticou o humanismo, agindo como se fosse o único senhor do seu destino, pautado apenas pela amoralidade e pela cobiça visual.

B. A escolha de Ló convidou o pecado de forma gradual Ninguém cai no pecado mais profundo de uma hora para outra; o naufrágio espiritual é um processo lento.

  • Primeiro, Ló deixou Deus fora de sua decisão;

  • Depois, levantou os olhos para a facilidade;

  • Em seguida, separou-se da cobertura espiritual da família piedosa;

  • Por fim, armou as suas tendas em direção a Sodoma (v. 12). À primeira vista, morar perto da planície não parecia perigoso. Mas o versículo 13 alerta: “Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor”. Mais tarde, o texto registra que ele já não estava perto de Sodoma, ele habitava dentro da cidade (Gênesis 14:12). O apóstolo Pedro descreve o tormento mental que essa escolha custou a Ló:

2 Pedro 2:7-8 — “…e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados (porque este justo, habitando entre eles, por dia e dia, atormentava a sua alma justa, por causa das obras iníquas que via e ouvia).”

C. A escolha de Ló resultou em ruína absoluta (Gênesis 19) O erro de Ló cobrou um preço altíssimo na sua velhice:

  • Perdeu o amor pelas almas: Não havia sequer dez pessoas justas em Sodoma sob a sua influência (Gênesis 18:32);

  • Perdeu a decência moral: Chegou ao ponto de oferecer as próprias filhas aos homens corrompidos da cidade (Gênesis 19:8);

  • Perdeu o respeito e o testemunho: Quando tentou avisar seus genros sobre o juízo de Deus, eles acharam que ele estava zombando (Gênesis 19:14);

  • Perdeu a família e a alegria: Sua esposa olhou para trás e virou uma estátua de sal — o corpo dela saiu de Sodoma, mas Sodoma continuava dentro do coração dela. Suas filhas, corrompidas pelos costumes daquela terra, geraram filhos incestuosos que deram origem aos moabitas e amonitas, inimigos históricos do povo de Deus. Ló terminou a vida pobre, isolado em uma caverna e sem alegria.

Conclusão e Apelo

Toda a tragédia da história de Ló foi o resultado direto de deixar Deus fora das suas decisões cotidianas. O fim da história de Ló nos faz um alerta solene. O que você mais ama hoje? O mundo ou a Palavra de Deus?

A Bíblia está repleta de biografias marcadas por escolhas espirituais desastrosas:

  1. Adão e Eva escolheram a desobediência no Éden e trouxeram a queda à humanidade;

  2. Caim escolheu oferecer um sacrifício sem sangue e sem fé, abrindo a porta para o homicídio;

  3. Davi escolheu o olhar da cobiça do terraço e colheu a espada dentro da sua própria casa;

  4. Judas escolheu trinta moedas de prata e trocou o seu apostolado pelo suicídio e pela condenação;

  5. Pilatos escolheu a aprovação da multidão e lavou as mãos diante da verdade;

  6. A multidão escolheu libertar o criminoso Barrabás e crucificar o Justo;

  7. O jovem rico escolheu manter os seus bens materiais e deu as costas para a vida eterna.

Nesta manhã, a decisão está diante de você.

Amigo pecador, qual escolha você fará em relação à salvação da sua alma? Continuará adiando o seu encontro com Cristo ou se entregará hoje à cura completa?

Amigo cristão, qual escolha você fará em relação ao seu chamado? Continuará vivendo como um enfeite vaidoso, focado apenas no seu próprio conforto, ou se oferecerá no altar como um instrumento afiado nas mãos do Senhor da Ceifa?

A semente é sua, mas a colheita é inevitável. Escolha a vida, escolha a santidade, escolha servir a Deus!

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