{"id":436,"date":"2011-09-01T21:40:00","date_gmt":"2011-09-01T21:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.idagospel.com\/2011\/09\/quatro-principio-biblicos-para-enteder-a-batalha-espiritual.html"},"modified":"2011-09-01T21:40:00","modified_gmt":"2011-09-01T21:40:00","slug":"quatro-principio-biblicos-para-entender-a-batalha-espiritual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejadeus.com.br\/pregacao\/quatro-principio-biblicos-para-entender-a-batalha-espiritual\/","title":{"rendered":"Quatro princ\u00edpio b\u00edblicos para entender a batalha espiritual"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Quatro princ\u00edpio b\u00edblicos para entender a batalha espiritual<\/h1>\n<p><strong> Visualize<\/strong> \u2192 <strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/idagospel.com\/premium\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Word2.png\" \/> Word &#8211; <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/idagospel.com\/premium\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/PDF2.png\" \/> PDF &#8211; <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/idagospel.com\/premium\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Power2-1.png\" \/> Power Point<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A necessidade de princ\u00edpios b\u00edblicos A melhor maneira de abordarmos assuntos pol\u00eamicos \u00e9 coloc\u00e1-los dentro de seus contextos maiores. Se tivermos a vis\u00e3o do todo, poderemos com mais exatid\u00e3o entender suas partes. Por exemplo, uma pessoa que tenta achar um endere\u00e7o numa cidade simplesmente procurando as placas com o nome das ruas pode acabar desorientada e perdida. Se ela por\u00e9m tiver um mapa, que lhe d\u00e1 uma vis\u00e3o mais ampla da \u00e1rea onde ela se encontra, e mostra as liga\u00e7\u00f5es entre as ruas, poder\u00e1 mais facilmente encontrar seu destino. Da mesma forma, quando colocamos o tema do confronto da Igreja com as hostes das trevas dentro de um contexto maior, e percebemos as liga\u00e7\u00f5es com outras \u00e1reas teol\u00f3gicas, podemos melhor entend\u00ea-lo. <\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em termos do conhecimento teol\u00f3gico global, o assunto n\u00e3o pertence a uma \u00e1rea somente. Quando falamos da pol\u00eamica entre salva\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 e\/ou pelas obras, facilmente identificamos que o assunto pertence \u00e0 \u00e1rea de soteriologia, ou seja, o estudo da salva\u00e7\u00e3o, uma \u00e1rea da enciclop\u00e9dia teol\u00f3gica. Se tivermos uma boa compreens\u00e3o dos princ\u00edpios e fundamentos que orientam a soteriologia, poderemos mais facilmente entender tudo o que est\u00e1 envolvido nessa pol\u00eamica. Mas a luta entre a Igreja e Satan\u00e1s n\u00e3o se enquadra em uma \u00e1rea somente, muito embora a demonologia b\u00edblica, que por sua vez \u00e9 um departamento da angelologia, (o estudo dos anjos bons e maus) certamente seja a principal \u00e1rea afim. O fato \u00e9 que os ensinos e pr\u00e1ticas da &#8220;batalha espiritual&#8221; levantam quest\u00f5es s\u00e9rias relacionadas com diversas \u00e1reas do nosso conhecimento de Deus. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando, por exemplo, alguns dos defensores do movimento falam de Satan\u00e1s como se fosse um poder independente, aut\u00f4nomo e livre para fazer o mal neste mundo, est\u00e1 indiretamente entrando na \u00e1rea que trata dos decretos de Deus e da sua maneira de governar o mundo. Ainda, quando alguns revelam possuir informa\u00e7\u00f5es extra b\u00edblicas sobre o mundo invis\u00edvel dos anjos e dem\u00f4nios \u2013 como por exemplo, o nome de determinados dem\u00f4nios e os locais geogr\u00e1ficos onde supostamente habitam \u2013 est\u00e1 entrando na epistemologia, ou teoria do conhecimento. Essa \u00e1rea trata do modo pelo qual conhecemos as coisas ao nosso redor, inclusive o acesso humano ao conhecimento do mundo espiritual invis\u00edvel, onde habitam e atuam os seres espirituais como anjos e dem\u00f4nios. Semelhantemente, quando todo tipo de mal que existe no mundo, quer moral ou circunstancial (como doen\u00e7a, dor, desemprego, etc.) \u00e9 atribu\u00eddo aos dem\u00f4nios, levanta-se a antiga discuss\u00e3o acerca da origem dos males e sofrimentos neste mundo presente. E quando \u00e9 dito que os crist\u00e3os podem ser possu\u00eddos por um esp\u00edrito maligno (ou ficar demonizados, para usar um termo mais em voga), estamos de volta \u00e0 soteriologia \u2013 ou seja, qual a situa\u00e7\u00e3o dos salvos diante dos ataques de dem\u00f4nios \u2013 e entramos tamb\u00e9m na cristologia, indagando qual a rela\u00e7\u00e3o entre a obra vitoriosa e consumada de Cristo e a atividade sat\u00e2nica no presente. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando procuramos entender os conceitos da &#8220;batalha espiritual&#8221; a partir de princ\u00edpios gerais que controlam as diversas \u00e1reas abrangidas pelo tema, poderemos ter alguns trilhos sobre os quais poderemos conduzir o assunto. No que se segue, procuro analisar quatro desses princ\u00edpios que t\u00eam import\u00e2ncia fundamental para ele: a soberania de Deus, a sufici\u00eancia as Escrituras, a queda da ra\u00e7a humana e a sufici\u00eancia da obra de Cristo. Acredito que se forem compreendidos adequadamente pelos leitores, funcionar\u00e3o como balizadores seguros pelos quais poder\u00e3o prosseguir com maior certeza no conflito di\u00e1rio que enfrentamos contra as hostes espirituais da maldade. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quatro princ\u00edpios fundamentais <\/span><\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><b>1. Deus \u00e9 soberano absoluto do seu universo<\/b> O t\u00edtulo acima expressa um dos ensinamentos mais relevantes das Escrituras para o tema desse ensaio. Um soberano \u00e9 algu\u00e9m que est\u00e1 revestido da autoridade suprema, que governa com absoluto poderio, que exerce um poder supremo sem restri\u00e7\u00e3o nem neutraliza\u00e7\u00e3o. Quando dizemos que Deus \u00e9 soberano, significa que ele tem poder ilimitado para fazer o que quiser com o mundo e as criaturas que criou, e que nenhuma delas pode, ao final, frustrar seus planos. Podemos fazer algumas afirma\u00e7\u00f5es quanto a essa doutrina. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A soberania absoluta de Deus sobre sua cria\u00e7\u00e3o percebe-se claramente nas Escrituras. No Pentateuco Deus revela-se como o Criador do mundo vis\u00edvel e invis\u00edvel, e da ra\u00e7a humana. Ele \u00e9 o Libertador dos seus e o Legislador que soberanamente passa leis que refletem sua santidade e exigem obedi\u00eancia plena de suas criaturas. Ele exerce total controle sobre a natureza que criou, intervindo em suas leis naturais, suspendendo-as (milagres). Assim, em contraste com os deuses das na\u00e7\u00f5es, ele \u00e9 o supremo soberano do universo, acima de todos os deuses, que os julga e castiga, bem como aos que os adoram. Nos livros Hist\u00f3ricos, lemos como Deus cumpre soberanamente suas promessas feitas a Abra\u00e3o de dar uma terra aos seus descendentes, introduzindo-os e estabelecendo-os em Cana\u00e3, e ali mantendo-os at\u00e9 que os expulsasse por causa da desobedi\u00eancia deles. Os Salmos e os Profetas celebram a soberania de Deus sobre sua cria\u00e7\u00e3o e sobre seu povo. \u00c9 ele quem reina acima das na\u00e7\u00f5es e de seus deuses falsos, quem controla o curso desse mundo. Nele seu povo sempre pode confiar e depender. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O mesmo reconhecimento encontramos nas Escrituras do Novo Testamento. Na plenitude dos tempos Deus envia soberanamente seu filho, e d\u00e1 testemunho dele atrav\u00e9s de milagres poderosos, ressuscitando-o de entre os mortos. Esses eventos, bem como os que se seguiram na vida dos ap\u00f3stolos e da Igreja nascente, ocorreram como o cumprimento da vontade de Deus. Esse ponto vemos claramente nos Evangelhos e no livro de Atos: a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (At 2.23), bem como a oposi\u00e7\u00e3o contra a Igreja (At 4.27-29) s\u00e3o simplesmente o cumprimento da soberana vontade divina, acontecendo como cumprimento das Escrituras. Para os ap\u00f3stolos, &#8220;as profecias feitas no Antigo Testamento governavam o decurso da hist\u00f3ria da Igreja&#8221;(4). Assim, o derramamento do Esp\u00edrito (2.17-21), a miss\u00e3o aos gentios (13.47), a entrada dos gentios na Igreja (15.16-18), a rejei\u00e7\u00e3o de Cristo por parte dos judeus (28.25-27) \u2013 todos esses eventos e outros mais s\u00e3o vistos pelos autores do Novo Testamento como atos redentores de Deus na hist\u00f3ria. No livro de Atos encontramos claramente o conceito de que a vida da Igreja foi dirigida por Deus. A cada etapa do progresso mission\u00e1rios, Deus interv\u00e9m<br \/>\npara gui\u00e1-la, atrav\u00e9s da atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito (At 13.2; 15.28; 16.16), anjos (At 5.19-20; 8.26; 27.23), profetas (At 11.28; 20.11-12), e \u00e0s vezes o pr\u00f3prio Senhor (At 18.9; 23.11). A presen\u00e7a dos sinais e prod\u00edgios realizados em nome de Jesus atrav\u00e9s dos ap\u00f3stolos e de pessoas associadas aos ap\u00f3stolos (At 3.16; 14.3; 19.11) atestava que era o pr\u00f3prio Deus que levava avante a hist\u00f3ria da Igreja (15.4). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A soberania de Deus \u00e9 ensinada no conceito de Reino de Deus. Mas, \u00e9 o conceito b\u00edblico do Reino de Deus que melhor expressa a soberania de Deus sobre o universo que formou. Tal conceito est\u00e1 presente em toda a B\u00edblia e mesmo estudiosos renomados t\u00eam insistido em que \u00e9 o conceito central das Escrituras, do qual se derivam todos os demais.(5) Para coloc\u00e1-lo de maneira simples e sucinta, significa o dom\u00ednio supremo de Deus sobre suas criaturas, mesmo as que se encontram em estado de rebeli\u00e3o aberta contra ele; embora na \u00e9poca presente Deus permita que essa rebeli\u00e3o permane\u00e7a, j\u00e1 tem determinado o dia em que ser\u00e1 conquistada e quando ent\u00e3o reinar\u00e1 tendo tudo e todos sujeitos debaixo do dom\u00ednio de seu Filho (1 Co 15.23-28). O dom\u00ednio de Deus se estende no presente sobre as a\u00e7\u00f5es e vidas de suas criaturas, sem que isso represente uma intrus\u00e3o na liberdade delas em escolher e decidir moralmente. Ao final, por\u00e9m, a vontade do Rei prevalecer\u00e1 sobre todas elas, sem que nenhuma delas possa acus\u00e1-lo de determinista. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Igreja sempre reconheceu o ensino b\u00edblico sobre esse ponto. Os autores da Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster exprimiram o conceito da soberania de Deus de forma muito adequada. Eles escreveram que existe apenas um Deus vivo e verdadeiro, que \u00e9 um esp\u00edrito pur\u00edssimo, infinito em seu ser e em seus atributos, invis\u00edvel, imut\u00e1vel, amoroso, misericordioso, gracioso, paciente, imenso, incompreens\u00edvel, Todo-Poderoso, sant\u00edssimo, livre e totalmente absoluto, fazendo todas as coisas de acordo com sua sant\u00edssima vontade e de acordo com o seu querer justo e imut\u00e1vel (Cap\u00edtulo 2, \u00a7 1). Eles ainda acrescentaram que Deus possui em si mesmo toda vida, gl\u00f3ria, bem-aventuran\u00e7a, e que \u00e9 suficiente em si mesmo, e que n\u00e3o precisa de nenhuma das criaturas que fez, que ele exerce o mais soberano dom\u00ednio sobre elas, para atrav\u00e9s delas, para elas e sobre elas, fazer o que lhe agradar. A ele \u00e9 devido, da parte de anjos e homens, ou qualquer outra criatura, a adora\u00e7\u00e3o, o servi\u00e7o e a obedi\u00eancia que ele assim requerer (Cap\u00edtulo 2, \u00a7 2). Uma das evid\u00eancias b\u00edblicas que citam \u00e9 que foi do agrado desse Deus soberano escolher os que quis para salva\u00e7\u00e3o, e destinar os rebeldes para o castigo eterno (Cap\u00edtulo 3, \u00a7 7; cf. Mt 11.25,26; Rm 9.17,18,21,22; 2 Tm 2.19,20; Jd 4; 1 Pe 2.8). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A tradi\u00e7\u00e3o reformada \u2013 seguindo o ensino de Agostinho \u2013 entende o ensino b\u00edblico sobre a soberania de Deus em termos absolutos. Agostinho considerava que os planos de Deus n\u00e3o podiam ser obliterados, nem sua vontade obstru\u00edda ao final. Calvino, similarmente, concebia a soberania de Deus como o poder determinante do universo (ao mesmo tempo em que insistia que a responsabilidade dos seres morais n\u00e3o era aniquilada). Veja, por exemplo, o que ele escreveu nas Institutas, no cap\u00edtulo &#8220;O Resumo da Vida Crist\u00e3&#8221;: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00f3s n\u00e3o somos de n\u00f3s mesmos, n\u00f3s somos de Deus. Para ele, ent\u00e3o, vivamos ou morramos. N\u00f3s somos de Deus. Para ele, ent\u00e3o, dirijamos cada parte de nossas vidas. N\u00f3s n\u00e3o somos de n\u00f3s mesmos; ent\u00e3o, at\u00e9 onde poss\u00edvel, esque\u00e7amo-nos de n\u00f3s mesmos e das coisas que s\u00e3o nossas. N\u00f3s somos de Deus; ent\u00e3o, vivamos e morramos para ele (Rm 14.8) e deixemos a sua sabedoria presidir todas nossas a\u00e7\u00f5es.(6) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00e3o quero com isso dizer que outras linhas teol\u00f3gicas n\u00e3o reconhe\u00e7am o ensino b\u00edblico sobre a soberania de Deus. Na verdade, creio que te\u00f3logos em geral, de qualquer orienta\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria, est\u00e3o prontos a reconhecer o ensino b\u00edblico sobre esse assunto. Apenas destaco que, na minha opini\u00e3o, foram os reformadores e os puritanos que mais coerentemente entenderam e enfatizaram a soberania de Deus sem com isso detrair da responsabilidade das criaturas moralmente respons\u00e1veis, como os homens e os anjos, bons e maus, e Satan\u00e1s, entre esses \u00faltimos. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O pr\u00f3prio Satan\u00e1s est\u00e1 debaixo da soberania divina. Embora n\u00e3o esteja muito claro na B\u00edblia, a Igreja crist\u00e3 sempre entendeu que Satan\u00e1s foi originalmente um dos anjos criados por Deus, talvez um querubim de grande beleza e poder, que desviou-se do seu estado original de pureza e motivado pela vaidade e pela soberba, rebelou-se contra Deus, desejando ele mesmo ocupar o lugar da divindade (Isa\u00edas 14 e Ezequiel 28). Punido por Deus com a destrui\u00e7\u00e3o eterna, o anjo rebelde tem entretanto a permiss\u00e3o divina para agir por um tempo na humanidade, a qual, atrav\u00e9s de seu representante Ad\u00e3o, acabou por seguir o mesmo caminho do querubim soberbo. Pela permiss\u00e3o divina, Satan\u00e1s e os demais anjos que aliciou dos ex\u00e9rcitos celestiais, cumprem nesse mundo prop\u00f3sitos misteriosos, que pertencem a Deus apenas. Alguns deles transparecem das Escrituras, que \u00e9 o de servir como teste para os filhos de Deus e agente de puni\u00e7\u00e3o contra os homens rebeldes. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O ensino b\u00edblico \u00e9 claro. Satan\u00e1s, mesmo sendo um ser moral respons\u00e1vel e retendo ainda poderes inerentes aos anjos, nada mais \u00e9 que uma das criaturas de Deus, e portanto, infinitamente inferior a ele em gl\u00f3ria, poder e dom\u00ednio. Mesmo que a B\u00edblia fale do reino de Satan\u00e1s e de seu dom\u00ednio nesse mundo (Ef 6.12; Lc 4.6; Jo 14.30) e advirta os crentes a que estejam alertas contra suas ciladas (Ef 6.11; 1 Pe 5.8; Tg 4.7), jamais lhe atribui um poder independente de Deus, ou liberdade plena para cumprir planos pr\u00f3prios, ou capacidade para frustrar os des\u00edgnios do Senhor. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Assim, a B\u00edblia nos ensina que Satan\u00e1s n\u00e3o pode atacar os filhos de Deus sem a permiss\u00e3o dele. Foi somente assim que pode atacar o fiel J\u00f3 (J\u00f3 1.6-12; 2.1-7), incitar Davi a contar o n\u00famero dos israelitas (1 Cr 21.1 com 2 Sm 24.1) e peneirar Pedro e demais disc\u00edpulos (Lc 22.31-32). Os crentes t\u00eam a promessa divina de que ele s\u00f3 permitir\u00e1 a tenta\u00e7\u00e3o prosseguir at\u00e9 o limite individual de cada um (1 Co 10.13), o que s\u00f3 faz sentido se o Senhor tiver pleno controle sobre a atividade sat\u00e2nica. Os autores b\u00edblicos n\u00e3o viam esse controle do Deus santo e puro sobre a atividade sat\u00e2nica como uma insinua\u00e7\u00e3o potencial de que Deus era o autor do mal ou mesmo pactuasse com ele. Num universo em estado de rebeli\u00e3o contra o seu santo e soberano criador, onde habitavam seres morais respons\u00e1veis, deca\u00eddos espiritual e moralmente, era perfeitamente conceb\u00edvel que Deus, em seu plano de reden\u00e7\u00e3o, interagisse com homens e anjos deca\u00eddos, usando-os conforme seu querer soberano. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em nossos dias, percebe-se claramente que a doutrina da soberania de Deus, como entendida pelos reformados, n\u00e3o \u00e9 muito popular. Algumas dificuldades t\u00eam sido l<br \/>\nevantadas contra ela. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Homens e anjos podem frustrar os planos de Deus. Essa estranha id\u00e9ia predomina em alguns arraiais evang\u00e9licos. Um exemplo \u00e9 o artigo escrito por Marrs, onde afirma que as pessoas est\u00e3o sempre arruinando o bom plano de Deus, e que Deus sempre est\u00e1 pronto para come\u00e7ar outra vez.(7) Estou bem consciente de que a doutrina de que h\u00e1 um Deus que reina supremo n\u00e3o \u00e9 recebida favoravelmente entre os incr\u00e9dulos. O salmista menciona que os pr\u00edncipes desse mundo se uniram para tomar conselho contra Deus e seu Ungido (Sl 2.2-3). Nietzsche anunciou a morte de Deus, e os secularistas e ateus resolveram ignorar Deus como uma realidade. Essa resist\u00eancia est\u00e1 presente at\u00e9 mesmo entre crist\u00e3os. Para alguns deles, Deus \u00e9 um ser divino af\u00e1vel, como eles mesmos. Devemos reconhecer que at\u00e9 mesmo os crentes mais fi\u00e9is lutam com o conceito da plena soberania de Deus quando est\u00e3o passando por sofrimentos. Contudo, o conceito b\u00edblico da soberania do Senhor Deus permanece claramente expressa nas Escrituras. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00e3o h\u00e1 uma determina\u00e7\u00e3o \u00faltima de Deus quanto ao universo. Te\u00f3logos famosos como Clark Pinnock t\u00eam defendido em nossos dias uma compreens\u00e3o mais &#8220;moderada&#8221; da soberania de Deus do que a compreens\u00e3o de Agostinho e de Calvino. Pinnock afirma que um controle soberano da parte de Deus nega a habilidade e a liberdade das pessoas em escolher obedecer a Deus ou voltar-se contra seu prop\u00f3sito. Ele sugere que Deus criou o mundo com uma certa medida de autodetermina\u00e7\u00e3o, e que governa um mundo livre e din\u00e2mico, onde n\u00e3o h\u00e1 nada determinado de forma fixa ou definitiva. A soberania de Deus, ele sugere, \u00e9 algo aberto e flex\u00edvel.(8) Pinnock tem recebido muitas cr\u00edticas de te\u00f3logos reformados hoje. Sua id\u00e9ia de soberania de Deus n\u00e3o faz justi\u00e7a ao ensino da B\u00edblia acerca do reino de Deus nesse mundo. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A soberania de Deus o torna autor do pecado e do mal. Muitas pessoas n\u00e3o conseguem entender como Deus pode ser soberano e ao mesmo tempo permitir que o mal impere. James Long, preocupado com essa quest\u00e3o, escreveu: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Eu me importo com paradoxos. Deus reina. O mal tamb\u00e9m parece reinar. Eu quero ver como as Escrituras relacionam os dois. Quase 20% dos 6 bilh\u00f5es de pessoas desse planeta vivem em absoluta pobreza e sofrimento. A f\u00e9 crist\u00e3 deve ter uma boa explica\u00e7\u00e3o para isso, se \u00e9 que vai fazer sentido para eles.(9) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sem querer fazer de Deus o autor do mal, e sem querer menosprezar o sofrimento desses milh\u00f5es de pessoas, ouso dizer que a B\u00edblia tem, de fato, uma solu\u00e7\u00e3o para esse problema. Possivelmente, a melhor maneira de entender como os autores b\u00edblicos \u2013 em especial do Novo Testamento \u2013 abordaram esse ponto, \u00e9 tomarmos conhecimento do que eles ensinaram acerca das duas eras. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Enquanto que os gregos tinha uma id\u00e9ia da hist\u00f3ria como se movendo em c\u00edrculos, uma repeti\u00e7\u00e3o sem fim dos eventos \u2014 e portanto, algo sem sentido, sem controle, sujeito ao acaso e ao capricho dos deuses \u2014 os Judeus tinham um conceito linear da hist\u00f3ria. A hist\u00f3ria, para eles, se dividia em duas partes, o olam haz\u00e9, a era presente, em que Israel estava sofrendo debaixo do dom\u00ednio de seus inimigos, e o olam hab\u00e1, a era vindoura, o mundo por vir, quando Israel seria libertado pelo Messias de seus inimigos, se tornaria o centro do mundo, e Deus seria adorado e reconhecido por todas as na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s. Esta nova era seria introduzida pelo Messias, quando viesse em gl\u00f3ria e poder, para destruir os opressores do povo de Deus. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo o Novo Testamento, vivemos hoje no per\u00edodo em que as duas eras se sobrep\u00f5em. A coexist\u00eancia das duas eras traz tens\u00f5es que o Novo Testamento exp\u00f5e de forma clara: Cristo j\u00e1 reina, mas ainda n\u00e3o liquidou literalmente todos os seus inimigos, como Satan\u00e1s e a morte (1 Co 15.20-28; Hb 2.8). O Reino de Deus j\u00e1 est\u00e1 entre n\u00f3s, mas ainda temos de orar &#8220;venha o Teu Reino&#8221;. J\u00e1 estamos salvos da condena\u00e7\u00e3o do pecado, mas ainda n\u00e3o da sua presen\u00e7a e da morte que ele acarreta. J\u00e1 temos as prim\u00edcias do Esp\u00edrito, j\u00e1 experimentamos os poderes do mundo vindouro, mas ainda n\u00e3o em sua plenitude (1 Co 13.9-13). J\u00e1 estamos ressuscitados com Cristo, mas ainda n\u00e3o fisicamente. \u00c9 \u00e0 luz desta tens\u00e3o que podemos entender que o diabo j\u00e1 foi vencido, despojado, limitado, e amarrado, mas ainda n\u00e3o aniquilado (cf. 1 Co 15.24).(10) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Procuremos entender claramente este ponto. Nos Evangelhos Satan\u00e1s \u00e9 representado como sendo um inimigo vencido. Os dem\u00f4nios s\u00e3o expulsos inexoravelmente. Eles se aproximam de Jesus, n\u00e3o como negociadores em p\u00e9 de igualdade, mas como suplicantes (Mc 1.23-28; 5.1-20). O Senhor Jesus declara que Satan\u00e1s est\u00e1 amarrado (Mc 3.27; Mt 12.29; Lc 11.21-22). Por outro lado, a destrui\u00e7\u00e3o final de Satan\u00e1s \u00e9 vista como ainda no futuro (Mt 25.41). Esta tens\u00e3o faz parte do ensino de Jesus acerca do Reino de Deus, que j\u00e1 \u00e9 presente, mas ainda vindouro.(11) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Temos que manter os dois pontos desta tens\u00e3o em perfeito equil\u00edbrio. O problema com muitos defensores da &#8220;batalha espiritual&#8221; \u00e9 que n\u00e3o d\u00e3o \u00eanfase suficiente no aspecto j\u00e1 realizado da obra de Cristo, da sua vit\u00f3ria sobre Satan\u00e1s. Igualmente perigosa \u00e9 a falta de \u00eanfase no &#8220;ainda n\u00e3o&#8221; da tens\u00e3o. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O reconhecimento da soberania de Deus tem profundas implica\u00e7\u00f5es na vida do crist\u00e3o. Em meio \u00e0s dificuldades, prova\u00e7\u00f5es, sofrimento e adversidades da \u00e9poca presente, ele encontrar\u00e1 profundo conforto em confiar no Deus que est\u00e1 em perfeito controle da situa\u00e7\u00e3o, e que a seu tempo e ao seu modo haver\u00e1 de prover o que for necess\u00e1rio para o bem de seu filho. A B\u00edblia est\u00e1 repleta de exemplos de her\u00f3is e hero\u00ednas da f\u00e9 que repetidamente afirmaram sua confian\u00e7a no poder de Deus para fazer tudo certo. Segundo Jay Adams, &#8220;a soberania de Deus \u00e9 a verdade \u00faltima e definitiva que satisfaz as necessidades humanas&#8221;. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando essa doutrina n\u00e3o \u00e9 corretamente entendida e aplicada, duas conseq\u00fc\u00eancias igualmente perniciosas se seguem. Uma \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o em vez de resigna\u00e7\u00e3o humilde. Os que aplicam a doutrina da soberania de Deus inconsistentemente e de forma superficial acabam caindo no &#8220;louvar a Deus apesar de tudo\u2026&#8221; Em vez de uma submiss\u00e3o volunt\u00e1ria e paciente \u00e0 vontade do soberano e amoroso Senhor do universo desenvolvem um esp\u00edrito de rebeldia e ingratid\u00e3o. E a outra tend\u00eancia \u00e9 esquecer a responsabilidade pessoal. Essa \u00faltima tend\u00eancia ataca especialmente os calvinistas.(12) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mas o entendimento correto da soberania de Deus pode trazer ao aflito e<br \/>\ndeprimido muita paz e esperan\u00e7a, pois lhe assegura que existe ordem e prop\u00f3sito para todas as coisas.(13) Um bom exemplo disso \u00e9 o famoso batista calvinista Charles Spurgeon. Ele padeceu durante toda sua vida no minist\u00e9rio de gota e artrite, e a profunda depress\u00e3o causada por essas doen\u00e7as. Segundo John Piper, o segredo de sua perseveran\u00e7a foi entender a depress\u00e3o como parte do plano de Deus para sua vida. Sua confian\u00e7a inabal\u00e1vel na soberania divina evitou que ficasse amargurado com Deus, e habilitou-o a perceber que Deus estava usando o sofrimento para derramar ainda mais abundantemente o poder de Cristo atrav\u00e9s de seu minist\u00e9rio, e prepar\u00e1-lo para ser ainda mais frut\u00edfero.(14) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando as pessoas perdem a soberania de Deus de vista, acabam por exagerar os poderes de Satan\u00e1s e a sua liberdade para fustigar e afligir os crentes. Acabam por perder a paz, a alegria e a liberdade para servir ao Senhor livremente. Portanto, reconhecer que Deus \u00e9 soberano absoluto do universo que criou, nos permite entender o ensino b\u00edblico sobre a batalha espiritual da perspectiva correta. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><b>2. As coisas de Deus s\u00f3 podem ser conhecidas pelas Escrituras <\/b>Esse segundo ponto \u00e9 de import\u00e2ncia crucial para nosso entendimento da batalha espiritual. Ele trata da sufici\u00eancia das Escrituras quanto ao conhecimento que precisamos ter acerca de Deus, da sua vontade, suas promessas, e do misterioso mundo celestial, onde invisivelmente se movimentam os anjos e os dem\u00f4nios. H\u00e1 dois aspectos que precisamos destacar aqui. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A exclusividade da Escritura. A B\u00edblia \u00e9 a \u00fanica fonte adequada e autorizada por Deus pela qual obter informa\u00e7\u00f5es acerca das coisas espirituais e que pertencem \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Portanto, ela exclui qualquer outra fonte. Muito embora Deus se revele atrav\u00e9s da sua imagem em n\u00f3s (consci\u00eancia, Rm 2.14-15) e das coisas criadas (Rm 1.19-20), entretanto \u00e9 atrav\u00e9s de sua revela\u00e7\u00e3o especial nas Escrituras que nos faz saber acerca do mundo invis\u00edvel e espiritual que nos cerca. Assim, muito embora possamos depreender alguma coisa acerca de Deus pelo conhecimento de n\u00f3s mesmos e do mundo criado, \u00e9 exclusivamente nas Escrituras que encontraremos a revela\u00e7\u00e3o clara e plena de Deus para a humanidade. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A sufici\u00eancia da Escritura. A B\u00edblia traz todo o conhecimento que precisamos ter nesse mundo, para servirmos a Deus de forma agrad\u00e1vel a ele, e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo n\u00e3o sendo uma revela\u00e7\u00e3o exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura entretanto \u00e9 suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Aplicando ao tema do nosso ensaio, isso implica duas coisas: <\/span><\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">1) A \u00fanica fonte autorizada que temos para conhecer o misterioso mundo ang\u00e9lico onde se movem anjos e dem\u00f4nios \u00e9 a B\u00edblia. Mesmo que existam muitos conceitos e id\u00e9ias acerca dos dem\u00f4nios, advindas da supersti\u00e7\u00e3o popular, da crendice e de experi\u00eancias pelas quais as pessoas passam, \u00e9 somente nas Escrituras que encontramos conhecimento seguro acerca de Satan\u00e1s e de sua atividade nesse mundo. Ela \u00e9 singular e exclusiva. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2) A B\u00edblia cont\u00e9m tudo o que Deus desejava que conhec\u00eassemos a respeito de Satan\u00e1s. O ensino que ela nos oferece sobre os dem\u00f4nios e suas atividades \u00e9 suficiente para que possamos estar sempre prontos para resistir \u00e0s suas investidas e para ajudar as pessoas que se encontram cativas por eles. Ou seja, tudo que precisamos saber para travarmos uma guerra espiritual contra as hostes espirituais da maldade est\u00e1 revelado nas p\u00e1ginas da Escritura, e isso inclui conhecimento das ciladas astutas do diabo e a maneira correta de procedermos diante delas. A B\u00edblia \u00e9 nosso manual de combate espiritual. Ela nos revela o car\u00e1ter de nosso inimigo, suas inten\u00e7\u00f5es e artimanhas, e de que modo podemos ficar firmes contra suas ciladas. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Assim, os estudiosos costumavam escrever &#8220;demonologias b\u00edblicas&#8221; que nada mais eram que uma sistematiza\u00e7\u00e3o do ensino das Escrituras acerca de Satan\u00e1s, seus anjos, e sua atividade nesse mundo.(15) Os puritanos, por exemplo, escreveram muitas obras acerca do conflito entre os crist\u00e3os e o diabo, que no geral sempre eram baseadas no que a B\u00edblia dizia sobre os dem\u00f4nios e suas atividades.(16) Contudo, em nossos dias, assistimos com perplexidade o crescimento espantoso de uma demonologia que se utiliza de outras fontes de conhecimento acerca do reino das trevas al\u00e9m das Escrituras, ao ponto de afinal contradizerem o ensino da mesma, ou de a complementarem. Tanto a exclusividade quanto a singularidade da Escritura nesses assuntos foram deixados para tr\u00e1s. O resultado tem sido um ensino acerca de batalha espiritual e de m\u00e9todos de evangeliza\u00e7\u00e3o bem distorcido e diferente daquele ensinado pelas Escrituras. Em geral s\u00e3o usadas quatro fontes de onde se extraem conhecimento extrab\u00edblico sobre a atividade demon\u00edaca. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Experi\u00eancias pessoais. Alguns exemplos dever\u00e3o bastar para que possamos entender o que estou dizendo. Uma das mais s\u00e9rias defici\u00eancias do livro &#8220;A Igreja e a Batalha Espiritual&#8221;, escrito por Neuza Itioka, diz respeito \u00e0s suas fontes. \u00c9 surpreendente encontrar nas notas bibliogr\u00e1ficas fontes como &#8220;fatos constatados e verificados nas ministra\u00e7\u00f5es pessoais&#8221;, depoimentos pessoais, e testemunhos de ex-pais de santos. \u00c9 destas \u00faltimas &#8220;fontes&#8221; que a autora tira o fundamento para grande parte do seu livro. Por exemplo, a sua convic\u00e7\u00e3o de que crentes verdadeiros podem ficar endemoninhados baseia-se, n\u00e3o em exegese das Escrituras, mas na narrativa de v\u00e1rias experi\u00eancias que teve.(17) Itioka freq\u00fcentemente menciona experi\u00eancias pessoais para provar suas convic\u00e7\u00f5es. Ela afirma, com base na sua experi\u00eancia de aconselhamento, que certos dem\u00f4nios &#8220;adquirem&#8221; o direito de se sentarem no pesco\u00e7o das pessoas. Com base em testemunhos, ela afirma que as ora\u00e7\u00f5es da Igreja diminuem o \u00edndice de criminalidade, roubo e viol\u00eancia, que as entidades de uma rua podem ser atadas, etc. Uma de suas cren\u00e7as mais curiosas, a de que determinadas igrejas tem entidades malignas que se alimentam dos pecados n\u00e3o resolvidos da comunidade e seus pastores, \u00e9 defendida principalmente com base em v\u00e1rios testemunhos. O que \u00e9 ainda mais preocupante, Itioka faz v\u00e1rias especula\u00e7\u00f5es sobre os dem\u00f4nios que dominam o Brasil baseada na doutrina da Umbanda sobre estas entidades.(18) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um outro exemplo \u00e9 o artigo seminal de Peter Wagner sobre &#8220;Esp\u00edritos Territoriais e Miss\u00f5es Mundiais&#8221; publicado em 1989.(19) Neste artigo, Wagner admite que seu conhecimento sobre &#8220;esp\u00edritos territoriais&#8221; baseia-se principalmente na sabedoria popular sobre o assunto.(20) Mas n\u00e3o p\u00e1ra ai. Ele tenta um c\u00e1lculo do n\u00famero de dem\u00f4nios que existem baseado nas informa\u00e7\u00f5es de um ex-pai de santo da Nig\u00e9ria, a quem Satan\u00e1s teria designado autoridade sobre um determinado n\u00fam<br \/>\nero de dem\u00f4nios, que por sua vez tinham controle sobre outro n\u00famero.(21) Wagner defende a tese de &#8220;casas mal assombradas&#8221; com base na experi\u00eancia de mission\u00e1rios em Serra Leoa.(22) A maior parte do artigo \u00e9 empregado por Wagner para amontoar experi\u00eancias ap\u00f3s experi\u00eancias de campos mission\u00e1rios, que supostamente provam a exist\u00eancia de dem\u00f4nios que s\u00e3o autoridades locais.(23) Wakely observa que as experi\u00eancias citadas por Wagner para defender a exist\u00eancia e atua\u00e7\u00e3o de &#8220;esp\u00edritos territoriais&#8221; s\u00e3o muito limitadas e cuidadosamente selecionadas.(24) Ele mostra, por exemplo, que a maioria das ilustra\u00e7\u00f5es que Wagner usa em seu livro Warfare Prayer s\u00e3o tiradas da Argentina, especialmente do minist\u00e9rio do evangelista argentino Carlos Annacondia, que se utiliza das t\u00e1tica da &#8220;batalha espiritual&#8221;. Wakely nota, por\u00e9m, que Wagner n\u00e3o menciona os casos em que estes m\u00e9todos foram empregados sem qualquer resultado, e nem os casos em que houve convers\u00f5es em massa, implanta\u00e7\u00e3o de novas igrejas, e crescimento genu\u00edno de igrejas sem que estes m\u00e9todos tivessem sido utilizados. Por deixar de mencionar que outras igrejas e miss\u00f5es, que n\u00e3o a de Annacondia, est\u00e3o tendo o mesmo resultado, Wagner deixa de fornecer uma informa\u00e7\u00e3o importante para que o leitor julgue os m\u00e9todos de Annacondia dentro do contexto argentino global.(25) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Revela\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios dem\u00f4nios. A uma certa altura do seu artigo j\u00e1 mencionado, Wagner menciona seis potestades mundiais que est\u00e3o imediatamente abaixo de Satan\u00e1s na hierarquia sat\u00e2nica, cujos nomes s\u00e3o Dami\u00e3o, Asmodeo, Menguelesh, Arios, Beelezebub, e Nosferatus. Estes dem\u00f4nios e seus nomes, segundo Wagner, foram descobertos por Rita Cabezas, que fez pesquisas extensas sobre a hierarquia sat\u00e2nica, usando m\u00e9todos que Wagner prefere n\u00e3o citar, mas que est\u00e3o relacionados com o minist\u00e9rio de psicologia e liberta\u00e7\u00e3o de Cabezas, e com revela\u00e7\u00f5es divinas que ela recebeu atrav\u00e9s de &#8220;palavras de conhecimento&#8221;.(26) N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, para quem l\u00ea as obras de Rita Cabezas, perceber qual o m\u00e9todo que ela usa para &#8220;descobrir&#8221; os mist\u00e9rios da hierarquia sat\u00e2nica. Em seu \u00faltimo livro (Desmascarado [S\u00e3o Paulo: Renascer, 1996]) Cabezas narra longos di\u00e1logos que teve com dem\u00f4nios (falando atrav\u00e9s de pessoas endemoninhadas), os quais n\u00e3o somente lhe revelaram seus nomes, como tamb\u00e9m lhe deram informa\u00e7\u00f5es sobre outros dem\u00f4nios. Ela afirma que n\u00e3o \u00e9 correto basear sua teologia no que dem\u00f4nios dizem, mas acrescenta &#8220;&#8230;tenho a impress\u00e3o que aquele dem\u00f4nio dizia a verdade&#8230;&#8221; (p.216). Esse \u00e9 apenas um exemplo. Nos ensinos e pr\u00e1ticas do movimento h\u00e1 muitas outras informa\u00e7\u00f5es sobre os dem\u00f4nios adquiridas pelo mesmo m\u00e9todo. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Pesquisas psicol\u00f3gicas. Uma outra fonte extra-b\u00edblica utilizada para se obter conhecimento sobre o mundo espiritual s\u00e3o as pesquisas cient\u00edficas. Mais conhecimento sobre os sintomas da possess\u00e3o demon\u00edaca em contraste a dist\u00farbios mentais tem sido buscado atrav\u00e9s desse m\u00e9todo. Estudiosos na \u00e1rea de psicologia pastoral t\u00eam publicado relat\u00f3rios onde procuram distinguir a possess\u00e3o demon\u00edaca de doen\u00e7as mentais pela observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise em seus consult\u00f3rios m\u00e9dicos.(27) A B\u00edblia narra diversos casos de possess\u00e3o demon\u00edaca mas nos oferece pouca informa\u00e7\u00e3o acerca dos seus sintomas. No geral, os autores b\u00edblicos n\u00e3o est\u00e3o interessados na psicologia desses casos, e os narram apenas do ponto de vista teol\u00f3gico, para mostrar o poder libertador de Deus atrav\u00e9s de Cristo, e sua soberania sobre o reino das trevas. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Devemos obter toda a ajuda que pudermos para diagnosticar as verdadeiras causas do sofrimento das pessoas. Nesse sentido, pesquisas assim s\u00e3o bem-vindas. Mas, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil distinguir entre possess\u00e3o demon\u00edaca e dist\u00farbios mentais. O Senhor Jesus e os ap\u00f3stolos n\u00e3o tinham qualquer dificuldade em saber quem era o que, mas gozavam de uma posi\u00e7\u00e3o especial que n\u00e3o nos parece ser a mesma dos crist\u00e3os em geral. Muito embora os crist\u00e3os tenham discernimento espiritual, \u00e9 patente que muitos erros e abusos t\u00eam ocorrido nessa \u00e1rea, por parte de pastores, conselheiros e obreiros em geral, especialmente nos chamados &#8220;minist\u00e9rios de liberta\u00e7\u00e3o&#8221;. Num recente artigo acerca do tratamento dos dist\u00farbios da &#8220;m\u00faltipla personalidade&#8221; (um estado psiqui\u00e1trico doentio em que as pessoas apresentam v\u00e1rias diferentes personalidades), Christopher Rosik adverte que os pastores devem ter cuidado para n\u00e3o diagnosticar DMP (dist\u00farbios de m\u00faltipla personalidade) como sendo possess\u00e3o demon\u00edaca. Usar exorcismo num paciente de DMP \u00e9 uma atitude inaceit\u00e1vel, e muitos terapeutas a consideram como sendo extremamente prejudicial ao paciente.(28) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A necessidade de cautela fica ainda mais patente quando descobrimos, para nosso des\u00e2nimo, que os pesquisadores nessa \u00e1rea n\u00e3o conseguem chegar a um acordo quanto aos sintomas que claramente distinguem possess\u00e3o demon\u00edaca de desordens mentais. Alguns estudiosos, como Isaacs, afirmam que a perda do auto controle, ouvir vozes ou ter vis\u00f5es, a presen\u00e7a de outras personalidades dentro da pessoa, rejei\u00e7\u00e3o de itens religiosos, flutua\u00e7\u00f5es entre personalidades, comportamento suicida e destrutivo, ocorr\u00eancias paranormais ou parapsicol\u00f3gicas, s\u00e3o sintomas claros de possess\u00e3o demon\u00edaca.(29) Geralmente apontam para abuso sexual na inf\u00e2ncia como sendo uma das portas de entrada dos dem\u00f4nios. Rosik, por outro lado, identifica um passado de abuso sexual, ouvir vozes dentro da cabe\u00e7a, comportamento anormal do qual o paciente n\u00e3o se lembra, tratamentos anteriores que n\u00e3o funcionaram, comportamento auto destrutivo, depress\u00e3o e dor de cabe\u00e7a severa, como sintomas de DMP. Afirma ainda que o doente t\u00edpico de DMP pode ter at\u00e9 mesmo 14 personalidades distintas.(30) N\u00e3o \u00e9 meu objetivo nessa parte do estudo entrar no assunto da possess\u00e3o demon\u00edaca, apenas quero mostrar que andamos em terreno escorregadio quando tentamos obter conhecimento acerca do mundo espiritual usando outras fontes que n\u00e3o a revela\u00e7\u00e3o divina. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Conceitos pag\u00e3os sobre dem\u00f4nios. Muita coisa ensinada pela &#8220;batalha espiritual&#8221; assemelha-se \u00e0 sabedoria pag\u00e3 sobre os esp\u00edritos maus, como os conceitos de &#8220;casa mau assombrada&#8221;, quebra de maldi\u00e7\u00f5es, etc. Gary Greenwald afirma num artigo que \u00e9 poss\u00edvel que esp\u00edritos malignos sejam transferidos para crentes de 6 maneiras: viver numa cidade onde os esp\u00edritos dominantes seduzem os crentes; viver em associa\u00e7\u00e3o com descrentes; assistir fitas de cinema ou v\u00eddeo que exp\u00f5em pornografia e viol\u00eancia; transfer\u00eancia de esp\u00edritos de antepassados \u00edmpios; imposi\u00e7\u00e3o de m\u00e3os por parte de pessoas erradas; l\u00edderes espirituais que n\u00e3o s\u00e3o realmente homens de Deus.(31) Podemos concordar que algumas dessas coisas mencionadas acima s\u00e3o perniciosas para o crente e que ele deve evit\u00e1-las. Mas da\u00ed a aceitarmos a id\u00e9ia de que elas transferem maus esp\u00edritos aos crentes, vai uma grande dist\u00e2ncia. Essa conclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 corretamente inferida das Escrituras, muito embora o autor tente fazer refer\u00eancia a algumas passagens que julga que provam seu ponto. O conceito de transfer\u00eancia de esp\u00edritos malignos para crentes parece muito mais um conceito pag\u00e3o do que b\u00edblico. Soa como o conceito de &#8220;mau olhado&#8221; da umbanda.(32) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">J\u00e1 outro autor, escrevendo sobre como uma fam\u00edlia crente deve consagrar ao Senhor a casa onde moram, defende que pode haver dem\u00f4nios morando nela, se os moradores anteriores foram \u00edmpios, e recomenda que os crentes fa\u00e7am uma opera\u00e7\u00e3o de limpeza, removendo todos os tra\u00e7os de pecado, e expulsando os dem\u00f4nios daquele lugar. O mesmo deve ser feito em quartos de hot\u00e9is, e escrit\u00f3rios.(33) Evidentemente todos os crist\u00e3os desejam morar num lugar onde Deus seja o Senhor, mas as Escrituras n\u00e3o nos ensinam a fazer rituais de purifica\u00e7\u00e3o de casas ou outros locais para que isso ocorra. Deus habita em n\u00f3s, e se habitamos numa casa, nossa presen\u00e7a santifica aquele local. A id\u00e9ia parece ter sido importada das religi\u00f5es pag\u00e3s, especialmente da umbanda e do baixo espiritismo. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os perigos que correm os crist\u00e3os que adotam uma demonologia ou uma vis\u00e3o de batalha espiritual que vai al\u00e9m dos padr\u00f5es da Palavra de Deus s\u00e3o devastadores. Via de regra, os que t\u00eam ido al\u00e9m das Escrituras acabam caindo numa demonologia semi-pag\u00e3. Defensores dessa nova teologia mesmo apresentando as vezes bom material b\u00edblico s\u00e3o tendentes a especula\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas e imagina\u00e7\u00f5es espetaculares. Os que v\u00eaem a dor, o sofrimento, as doen\u00e7as, a depress\u00e3o, o desemprego, os conflitos pessoais e o pecado \u2014 enfim, toda a mis\u00e9ria que existe no mundo ao seu redor \u2014 sempre em termos de batalha espiritual, correm diversos riscos quanto \u00e0 sua f\u00e9. Enumero em seguida tr\u00eas deles: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Falsa compreens\u00e3o. Quando aceitamos a id\u00e9ia de que vivemos num mundo onde todo mal se origina na atua\u00e7\u00e3o direta de Satan\u00e1s ou alguns de seus dem\u00f4nios, perdemos de perspectiva o ensino b\u00edblico de que somos respons\u00e1veis pelos nossos pecados e pelas conseq\u00fc\u00eancias dos mesmos, que geralmente nos trazem dor e sofrimento. E podemos at\u00e9 mesmo come\u00e7ar a questionar se a disciplina espiritual \u00e9 de algum valor para quebrarmos o poder dos h\u00e1bitos pecaminosos em nossas vidas, j\u00e1 que acreditamos que estes se resolvem pela expuls\u00e3o de entidades espirituais respons\u00e1veis pelos mesmos. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Temor doentio. Pessoas que percebem a vida crist\u00e3 exclusivamente em termos de batalha espiritual, logo come\u00e7am a ver conex\u00f5es sinistras e macabras entre os eventos do dia a dia e a atividades de dem\u00f4nios, o que pode lev\u00e1-las ao p\u00e2nico ou a um comportamento paran\u00f3ico. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ilus\u00e3o. Pessoas que experimentam umas poucas vezes a &#8220;vit\u00f3ria&#8221; sobre o inimigo podem adquirir uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de superioridade, de orgulho ou a ilus\u00e3o de terem &#8220;poder&#8221;. Entretanto, a vit\u00f3ria pertence a Deus. Devemos nos lembrar que a maioria dos problemas que os crist\u00e3os experimentam procedem de suas pr\u00f3prias faltas, defeitos, incoer\u00eancias, idiossincrasias e enfermidades espirituais. N\u00e3o estou negando que Satan\u00e1s usa essas coisas para prejudicar nossas vidas, apenas destacando que elas tem origem em nossa natureza deca\u00edda. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Se por\u00e9m permanecermos confiantes na exclusividade e na sufici\u00eancia do ensino da Escritura e permanecermos firmes no que ela nos ensina, poderemos entrar no combate espiritual perfeitamente equipados e tendo a perspectiva correta do que est\u00e1 acontecendo. Esse \u00e9 um princ\u00edpio fundamental que devemos manter a todo custo quanto ao tema da batalha espiritual. \u00cdNDICE ANTROPOLOGIA ANJOS ANT. TESTAMENTO CANA\u00c3 DOUTRINA ECUMENISMO EDUCA\u00c7\u00c3O CRIST\u00c3 ESCATOLOGIA ESP\u00cdRITO SANTO \u00c9TICA FESTAS G\u00caNESIS GRA\u00c7A IDOLATRIA IGREJA INFERNO INQUISI\u00c7\u00c3O JESUS LOUVOR MALDI\u00c7\u00c3O MARIA MISS\u00d5ES MOVIM. ECLESIAST. NOVO TESTAMENTO PACTO PAGANISMO PREGA\u00c7\u00c3O SATANISMO SEITAS SOCIEDADE TE\u00d3LOGOS VIDA CRIST\u00c3 <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><b>3. O homem \u00e9 um ser deca\u00eddo e esta debaixo do justo ju\u00edzo de Deus<\/b> <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um terceiro princ\u00edpio fundamental para colocarmos o assunto de &#8220;batalha espiritual&#8221; na perspectiva correta \u00e9 lembrarmos do verdadeiro estado da humanidade diante de Deus. Creio que na raiz de uma demonologia defeituosa e inadequada, como a abra\u00e7ada pelo moderno movimento de &#8220;batalha espiritual&#8221;, encontra-se uma vis\u00e3o incorreta acerca da extens\u00e3o dos efeitos do pecado na natureza humana e do estado do homem diante de Deus. Em outras palavras, falta o conceito b\u00edblico de que o homem \u00e9 um ser deca\u00eddo moral e espiritualmente e debaixo do justo ju\u00edzo divino. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Uma das grandes disputas durante a Reforma protestante versou sobre a natureza e a extens\u00e3o do pecado original. Ele afetou Ad\u00e3o somente, ou todo o g\u00eanero humano? A vontade do homem deca\u00eddo \u00e9 ainda livre ou escravizada ao pecado? No s\u00e9culo V Pel\u00e1gio havia debatido ferozmente com Agostinho sobre este assunto. Agostinho mantinha que o pecado original de Ad\u00e3o foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem ca\u00eddo retenha a habilidade para escolher, ele est\u00e1 escravizado ao pecado e &#8220;n\u00e3o pode n\u00e3o pecar&#8221;. Por outro lado, Pel\u00e1gio insistia que a queda de Ad\u00e3o afetara apenas a Ad\u00e3o, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, Ele tamb\u00e9m d\u00e1 a habilidade moral para que elas possam fazer assim. Ele reivindicou mais adiante que a gra\u00e7a divina era desnecess\u00e1ria para salva\u00e7\u00e3o, embora facilitasse a obedi\u00eancia. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Agostinho teve sucesso refutando Pel\u00e1gio, mas o pelagianismo n\u00e3o morreu. V\u00e1rias formas de pelagianismo recorreram periodicamente atrav\u00e9s dos s\u00e9culos. Lutero escreveu um livro &#8220;A Escravid\u00e3o da Vontade&#8221; em resposta a uma diatribe de Erasmo, onde o mesmo defendia conceitos pelagianos. Lutero acreditava que Erasmo era &#8220;um inimigo de Deus e da religi\u00e3o Crist\u00e3&#8221; por causa do ensino dele sobre o pecado original.(34) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Embora nem sempre houvesse total concord\u00e2ncia entre os crist\u00e3os, o ensino defendido por Agostinho, Calvino, Lutero, puritanos e te\u00f3logos reformados mais modernos, representou durante muito tempo o pensamento da maioria dos evang\u00e9licos. Atualmente, conceitos bastante similares aos de Pel\u00e1gio parece terem conseguido prevalecer entre os protestantes de maneira geral. Mas, a teologia reformada continuando afirmando que o pecado de Ad\u00e3o trouxe grav\u00edssimas conseq\u00fc\u00eancias aos seus descendentes. As duas principais s\u00e3o essas, como se segue: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A corrup\u00e7\u00e3o da natureza humana. Com esse termo se queria indicar a degenera\u00e7\u00e3o, pervers\u00e3o, deprava\u00e7\u00e3o ou decad\u00eancia espiritual e moral \u00e0 qual a ra\u00e7a humana ficou sujeita ap\u00f3s o pecado de seus primeiros pais, Ad\u00e3o e Eva. O pecado maculou a personalidade humana de tal maneira, que o homem \u00e9 mais inclinado a praticar o mal que o bem. O primeiro casal, criado puro e inocente, ap\u00f3s experimentar o pecado, j\u00e1 exibia sinais da corrup\u00e7\u00e3o interior: cada um tentou justificar seu erro colocando a culpa no outro e afinal em Deus (Gn 3.10-13). Depois disso, a hist\u00f3ria de seus descendentes \u00e9 uma triste hist\u00f3ria de viol\u00eancia (Gn 4.8), poligamia (Gn<br \/>\n4.19), soberba e vingan\u00e7a (Gn 4.23) e imoralidade (Gn 13.13; 18.20-21). Apesar de ainda existir algum bem nesse mundo (e isso somente pela gra\u00e7a de Deus), as pessoas sempre est\u00e3o pensando em fazer coisas erradas (Gn 6.5). A descri\u00e7\u00e3o dada pelo salmista \u00e9 estarrecedora: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Todos se tornaram imorais e fazem coisas horr\u00edveis; n\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 pessoa que fa\u00e7a o bem&#8230; todos se desviaram do caminho certo e s\u00e3o igualmente maus. N\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m que fa\u00e7a o que \u00e9 direito, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m mesmo (Sl 14.1-3, BLH). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O Senhor Jesus, ao explicar de que forma o homem se torna verdadeiramente impuro, apontou para o cora\u00e7\u00e3o do homem como a fonte de toda sorte de impureza moral e espiritual: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9 do cora\u00e7\u00e3o que v\u00eam os maus pensamentos que levam ao crime, ao adult\u00e9rio e \u00e0s outras coisas imorais. S\u00e3o os maus pensamentos que levam tamb\u00e9m a pessoa a roubar, mentir e caluniar. S\u00e3o essas coisas que fazem algu\u00e9m ficar impuro (Mt 15.19-20, BLH). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Semelhantemente, o ap\u00f3stolo Paulo escrevendo aos Romanos, e desejando mostrar que todos, sem exce\u00e7\u00e3o, s\u00e3o naturalmente corrompidos e inclinados ao mal, cita em s\u00e9rie v\u00e1rias passagens do Antigo Testamento como prova da deprava\u00e7\u00e3o total do homem: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m justo, ningu\u00e9m que tenha ju\u00edzo; n\u00e3o h\u00e1 quem adore a Deus. Todos se desviaram do caminho certo, todos se perderam. N\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m que fa\u00e7a o bem, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m mesmo. Mentem e enganam sem parar. Mentiras perversas saem de suas l\u00ednguas, e palavras de morte, como veneno de cobra, saem de seus l\u00e1bios. As suas bocas est\u00e3o cheias de terr\u00edveis maldi\u00e7\u00f5es. Eles t\u00eam pressa de ferir e de matar. Por onde passam, deixam a destrui\u00e7\u00e3o e a desgra\u00e7a. N\u00e3o conhecem o caminho da paz e n\u00e3o aprenderam a temer a Deus (Rm 3.10-18, BLH).(35) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Essas passagens da B\u00edblia s\u00e3o suficientes para demonstrar o nosso ponto (ainda outras poderiam ser acrescentadas). Basta uma consulta sincera \u00e0 nossa consci\u00eancia, aliada a um exame da hist\u00f3ria humana e a uma olhada ao nosso redor para verificarmos que a B\u00edblia diagnostica de forma exata a situa\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana. Mesmo quem n\u00e3o abra\u00e7a o ensino b\u00edblico sobre a corrup\u00e7\u00e3o inata ao ser humano, n\u00e3o pode deixar de perceber como ela macula todas as institui\u00e7\u00f5es sociais. Escreveu Shakespeare: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ah, se as propriedades, t\u00edtulos e cargos N\u00e3o fossem fruto da corrup\u00e7\u00e3o! e se as altas honrarias Se adquirissem s\u00f3 pelo m\u00e9rito de quem as det\u00e9m! Quantos, ent\u00e3o, n\u00e3o estariam hoje melhor do que est\u00e3o? Quantos, que comandam, n\u00e3o estariam entre os comandados?(36) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Existem algumas ressalvas importantes a serem feitas para evitarmos uma falsa compreens\u00e3o desse ensinamento. Segue-se quatro delas. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A queda do homem n\u00e3o contradiz a presen\u00e7a do bem nele. Quando dizemos que a deprava\u00e7\u00e3o \u00e9 total n\u00e3o estamos com isso querendo dizer que nunca ningu\u00e9m tem pensamentos bons ou faz coisas certas. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 deprava\u00e7\u00e3o, por absoluta que seja, que n\u00e3o traga, em seu aspecto exterior, algum tra\u00e7o de virtude&#8221;.(37) O termo total aponta para o fato de que o pecado penetrou em todas as faculdades do homem e as contaminou, como pensamentos, emo\u00e7\u00f5es, vontade. Tamb\u00e9m indica que essa contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal forma que, se deixado entregue \u00e0 si mesmo, o homem seguir\u00e1 naturalmente caminhos que o desviam de Deus e o levam cada vez mais ao pecado. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A queda do homem n\u00e3o contradiz a presen\u00e7a do bem no mundo. \u00c9 preciso ressalvar que o ensino reformado da total deprava\u00e7\u00e3o do homem n\u00e3o ignora a realidade \u00f3bvia de que h\u00e1 pessoas nesse mundo que fazem obras de caridade, que demonstram sentimentos de miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o, e que s\u00e3o capazes de sacrif\u00edcios os mais her\u00f3icos e altru\u00edstas por causas humanit\u00e1rias e nobres. Apenas atribui tais atos, n\u00e3o \u00e0 natureza do homem em si, mas ao que denomina de a gra\u00e7a comum de Deus. Com isso os reformados designam aquelas opera\u00e7\u00f5es graciosas e soberanas da provid\u00eancia de Deus, pelo Seu Esp\u00edrito, na humanidade em geral, restringindo as corrup\u00e7\u00f5es e as tend\u00eancias malignas dos cora\u00e7\u00f5es e promovendo atitudes de miseric\u00f3rdia, independentemente das cren\u00e7as religiosas das pessoas, com o objetivo de preservar por mais um tempo o conv\u00edvio humano, a exist\u00eancia da sociedade e a sobreviv\u00eancia da ra\u00e7a humana. Dessa forma, se por um lado a humanidade \u00e9 totalmente inclinada a fazer coisas erradas, por outro, \u00e9 levada (na maioria das vezes de forma inconsciente) por Deus a realizar atos de miseric\u00f3rdia e bondade, pelos quais a sua sobreviv\u00eancia em sociedade \u00e9 preservada. Caso Deus deixasse de atuar assim, a humanidade j\u00e1 teria se destru\u00eddo h\u00e1 muito tempo (veja Gn 20.6; Sl 33.5; 104.13-15; Mt 5.45). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A queda do homem n\u00e3o exclui sua responsabilidade. O ensino reformado da deprava\u00e7\u00e3o total tamb\u00e9m n\u00e3o exclui o reconhecimento de que as Escrituras ensinam que o homem, mesmo nesse estado deca\u00eddo, \u00e9 respons\u00e1vel pelos seus malfeitos. Alguns estudiosos alegam que o homem n\u00e3o pode ser responsabilizado pelos seus atos pecaminosos desde que \u00e9 irresistivelmente inclinado a pratic\u00e1-los. Por\u00e9m, entendemos que a queda do homem de um estado de pureza e inoc\u00eancia para o de deprava\u00e7\u00e3o moral e espiritual n\u00e3o anulou a sua responsabilidade diante de Deus. As Escrituras, mesmo afirmando a deprava\u00e7\u00e3o moral e espiritual das pessoas, avisa-as que s\u00e3o responsabilizadas por Deus pelos seus atos, e que sofrem as conseq\u00fc\u00eancias dos mesmos (cf. Jz 9.56; Pv 5.22; 22.8; Jr 21.14; Rm 6.21,23; 2 Co 5.10; Gl 6.8-9). N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil constatar que freq\u00fcentemente sofremos com os resultados de decis\u00f5es, palavras e atitudes erradas que tomamos. A pregui\u00e7a tem trazido pobreza a muitos. Uma vida desregrada traz doen\u00e7as. A falta de dom\u00ednio pr\u00f3prio tem provocado rea\u00e7\u00f5es que levam ao homic\u00eddio. A embriagues e o uso de drogas tem trazido sofrimentos indiz\u00edveis aos seus usu\u00e1rios e familiares. O amor ao dinheiro, a cobi\u00e7a e a inveja t\u00eam traspassado a muitos com muitas dores. Nas palavras do escritor Jules Romains (1885-1972), &#8220;Se nossa \u00e9poca, se nossa civiliza\u00e7\u00e3o correm a uma cat\u00e1strofe, isto se d\u00e1 menos por cegueira, do que por pregui\u00e7a e por falta de m\u00e9rito&#8221;.(38) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esse \u00e9 o ponto que desejamos enfocar nessa parte do nosso ensaio: grande parte da mis\u00e9ria espiritual, moral, social, individual, financeira e estrutural que sempre aflige a humanidade \u00e9 fruto, em primeiro lugar, dos pecados que ela comete. A humanidade em geral \u00e9 respons\u00e1vel, em grande medida, pela sofrimento moral, espiritual e f\u00edsico que suporta durante sua exist\u00eancia. \u00c9 verdade que h\u00e1 muitos e<br \/>\nmuitos casos em que pessoas sofrem como conseq\u00fc\u00eancia, n\u00e3o de seus erros, mas dos erros de outros \u2014 como por exemplo, os pais que perdem um filho atropelado por um motorista b\u00eabado, ou os civis que sofrem durante uma guerra. Negar isso seria cruel. Mas n\u00e3o \u00e9 esse o nosso ponto. O que estamos querendo dizer \u00e9 que, ou por nossa culpa ou pela de outros humanos, grande parte da mis\u00e9ria que nos acomete tem como raiz \u00faltima esse estado de deprava\u00e7\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o a que a desobedi\u00eancia dos nossos primeiros pais nos lan\u00e7ou, desobedi\u00eancia essa na qual incorremos por n\u00f3s mesmos; pois at\u00e9 mesmo as cat\u00e1strofes naturais \u2014 como terremotos, ciclones, secas e dil\u00favios \u2014 s\u00e3o atribu\u00eddos na B\u00edblia \u00e0 desordem c\u00f3smica gerada pela queda do homem no jardim do \u00c9den (cf. Gn 3.17-18; Rm 8.20-22). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A condena\u00e7\u00e3o e o castigo de Deus. Essa \u00e9 a segunda conseq\u00fc\u00eancia da queda que desejo enfatizar. A humanidade n\u00e3o somente vive num estado lastim\u00e1vel de deprava\u00e7\u00e3o espiritual, provocando muitas dores em si mesma \u2014 ela est\u00e1 debaixo do mais severo ju\u00edzo de Deus por causa do estado de rebeli\u00e3o em que vive, atraindo sobre si castigos temporais impostos por Ele. As Escrituras declaram abertamente que Deus, mesmo tendo reservado para o futuro as penas eternas merecidas pelos pecadores impenitentes, aqui e agora j\u00e1 imp\u00f5e castigos temporais aos mesmos.. As Escrituras nos d\u00e3o in\u00fameros exemplos dos castigos temporais de Deus sobre o pecado do homem. A come\u00e7ar com os castigos impostos ao primeiro casal no \u00c9den (Gn 3), passando pelo dil\u00favio (G\u00eanesis 6-8), a confus\u00e3o das l\u00ednguas (Gn 10) e a destrui\u00e7\u00e3o de Sodoma e Gomorra (Gn 13-17), a B\u00edblia nos deixa muito claro que, aqui e agora, no presente tempo em que vivemos, Deus est\u00e1 executando, mesmo que parcialmente, ju\u00edzos sobre os homens pecadores. Esses ju\u00edzos por vezes tomam a forma de flagelos f\u00edsicos. Deus disse por interm\u00e9dio de Mois\u00e9s que castigaria os israelitas com toda sorte de mis\u00e9rias temporais em caso de desobedi\u00eancia. O cat\u00e1logo de sofrimentos em Deuteron\u00f4mio 28 \u00e9 impressionante: diminui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio (v.18), doen\u00e7as contagiosas, infec\u00e7\u00f5es, inflama\u00e7\u00f5es e febres (v. 21-22), pragas (v. 22b), secas (v. 23), tumores, chagas, \u00falceras e coceiras (v. 27), cegueira (v. 28-29), fracasso financeiro e escravid\u00e3o (v. 29) \u2014 a lista \u00e9 infind\u00e1vel (cf. o restante dela nos vv. 30-44; ver tamb\u00e9m Lev\u00edtico 26.14-46). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00e3o pretendo fechar os olhos ao fato de que as Escrituras ensinam que Deus \u00e9 paciente, complacente e misericordioso para com a humanidade rebelde, e que apesar da desobedi\u00eancia e rebeli\u00e3o das pessoas, Ele graciosamente lhes d\u00e1 a vida, sa\u00fade, bens, e at\u00e9 longevidade. Mesmo as pessoas mais \u00edmpias por vezes experimentam nessa vida privil\u00e9gios materiais que excedem em muito a por\u00e7\u00e3o magra com que freq\u00fcentemente os justos s\u00e3o agraciados. A constata\u00e7\u00e3o dessa realidade levou muitos santos antigos a inquirir acerca da justi\u00e7a de Deus (ver Salmo 72; o livro de J\u00f3; o livro de Eclesiastes). A resposta \u00e9 que Deus, em sua muita miseric\u00f3rdia e seguindo prop\u00f3sitos freq\u00fcentemente ocultos aos nossos olhos, nem sempre nesta vida castiga o pecado imediatamente e na propor\u00e7\u00e3o que o mesmo merece. O ju\u00edzo e a condena\u00e7\u00e3o final dos \u00edmpios \u00e9 certa e Deus tem reservado a puni\u00e7\u00e3o deles para aquela ocasi\u00e3o. Aqui no presente Ele os castigue por vezes com flagelos e afli\u00e7\u00f5es temporais, como pren\u00fancios daquela condena\u00e7\u00e3o eterna que os aguarda. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A id\u00e9ia de que todo mal \u2014 quer sob a forma de sofrimento e mis\u00e9rias, quer sob a forma de pecado \u2014 prov\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o direta de dem\u00f4nios \u00e9 bastante difundida pelo movimento de batalha espiritual. Na verdade, acredito que o conceito de que &#8220;todo mal \u00e9 demon\u00edaco&#8221; \u00e9 a mais fundamental doutrina desse movimento. A esses esp\u00edritos malignos \u00e9 atribu\u00edda a responsabilidade, n\u00e3o somente de doen\u00e7as, desastres, fracassos, div\u00f3rcios, desemprego e coisas semelhantes, mas tamb\u00e9m de atitudes pecaminosas, como o uso de drogas, a prostitui\u00e7\u00e3o, o homossexualismo, o consumo de pornografia e todos dist\u00farbios morais de comportamento. Segundo o entendimento de muitos proponentes da &#8220;batalha espiritual&#8221;, essas entidades mal\u00e9ficas se instalam na vida das pessoas (crentes e descrentes) e nas estruturas sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas de determinadas regi\u00f5es geogr\u00e1ficas. Resta \u00e0 Igreja somente o m\u00e9todo de expelir essas entidades dos locais estrat\u00e9gicos onde se instalaram, como meio eficaz de combat\u00ea-las e libertar as pessoas debaixo de seu controle. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O ponto que desejo frisar \u00e9 que esse ensino do movimento de &#8220;batalha espiritual&#8221; \u00e9 uma perspectiva limitada e reducionista do ensino b\u00edblico acerca do sofrimento humano bem como uma avalia\u00e7\u00e3o distorcida da realidade que nos cerca. Os diferentes sofrimentos experimentados nessa vida pelos homens t\u00eam como origem, muitas vezes, n\u00e3o somente a desobedi\u00eancia humana, como tamb\u00e9m o castigo divino. Evidentemente, n\u00e3o sabemos ao certo dizer quando um termina e o outro come\u00e7a. E \u00e9 preciso reconhecer que, em casos como o de J\u00f3, Satan\u00e1s pode servir como instrumento dentro dos prop\u00f3sitos divinos. Provavelmente os efeitos do pecado, os ju\u00edzos divinos e a atua\u00e7\u00e3o dos dem\u00f4nios est\u00e3o t\u00e3o interligados em alguns casos que a separa\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica \u00e9 imposs\u00edvel. De qualquer forma, creio ter ficado claro que o conceito defendido pelo movimento de batalha espiritual, de que todo sofrimento, toda mis\u00e9ria e todo mal circunstancial que sobrev\u00eam \u00e0s pessoas hoje, tem origem demon\u00edaca, n\u00e3o tem qualquer sustent\u00e1culo b\u00edblico. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00e3o estou dizendo que os esp\u00edritos malignos n\u00e3o atuam na promo\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria e da dor, bem como na dissemina\u00e7\u00e3o do pecado. Negar isso seria negar o ensino da B\u00edblia. Ela afirma que o diabo veio para matar, roubar e destruir (Jo\u00e3o 10.10). Afirma tamb\u00e9m que ele \u00e9 o pai da mentira (Jo 8.44). Sabemos que Satan\u00e1s se utiliza da nossa natureza depravada como instrumento de tenta\u00e7\u00e3o, como se fosse um aliado interno, para nos levar ao pecado.(39) O que estou questionando \u00e9 a \u00eanfase do movimento de batalha espiritual de que toda forma de mal (circunstancial e moral) prov\u00e9m diretamente de Satan\u00e1s, e que ele \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, o respons\u00e1vel pela nossa escravid\u00e3o a determinados pecados. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Reconhe\u00e7o que muitos crist\u00e3os acham extremamente dif\u00edcil romper com determinados comportamentos compulsivos que sabem ser pecaminoso, como ver pornografia, comer em excesso, sentir autopiedade ou mentir. Estou tamb\u00e9m pronto a admitir que Satan\u00e1s procura levar as pessoas a permanecer escravas desses h\u00e1bitos e padr\u00f5es pecaminosos. Questiono, por\u00e9m, a id\u00e9ia de que tais crentes n\u00e3o conseguem se livrar porque est\u00e3o debaixo do poder de um determinado esp\u00edrito maligno que os levam a pecar sempre que esses dem\u00f4nios assim o desejem. Questiono essa id\u00e9ia porque creio estar claro nas Escrituras que o homem \u00e9 corrompido o suficiente para atrair sobre si sofrimentos e afli\u00e7\u00f5es decorrentes de seus pr\u00f3prios atos (sem que nenhum dem\u00f4nio esteja necessariamente envolvido). A id\u00e9ia de que todo comportamento compulsivo \u00e9 decorrente de demoniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um diagn\u00f3stico inadequado e abre portas para solu\u00e7\u00f5es inadequadas. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A B\u00edblia tamb\u00e9m ensina, como vimos, que Deus \u00e9 o autor de males e sofrimentos que envia sobre os \u00edmpios (e mesmo, sobre seus filhos, para corrigi-los). Com isso n\u00e3o estou, nem por um segundo, sugerindo que Deus \u00e9 o autor do pecado, ou que seja, no m\u00ednimo, c\u00famplice do mesmo. Quando come\u00e7amos a ir al\u00e9m da Escritura, e responsabilizamos o diabo por todo o mal que ocorre nesse mundo, corremos alguns riscos: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Perdermos de vista o ensino b\u00edblico acerca da queda e deprava\u00e7\u00e3o do homem. Num artigo cr\u00edtico contra os ensinos de Peter Wagner e demais proponentes do movimento de batalha espiritual, Mike Wakely acusa a teologia do movimento de ser pobre, descuidada e inferior, pois apresenta uma perspectiva inadequada do ensino b\u00edblico acerca da queda do homem. Satan\u00e1s, continua Wakely, \u00e9 visto como operando primariamente atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e religiosas. Uma vez que seu poder sobre esses sistemas \u00e9 quebrado, as pessoas prontamente se converter\u00e3o a Cristo.(40) Mas esse ensino, diz Wakely, est\u00e1 em completo desacordo com o ensino b\u00edblico de que o cora\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 endurecido, teimoso e rebelde. Esse ensino de Wagner e de outros tende a justificar os pecados dessas pessoas e sua recusa em submeter-se a Cristo.(41) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Perdermos de vista o ensino b\u00edblico acerca da responsabilidade pessoal de cada indiv\u00edduo pelos atos que comete. Num artigo sobre como os crist\u00e3os podem se libertar de comportamentos compulsivos \u2014 outra maneira de se referir a pr\u00e1tica costumeira de determinados pecados \u2014, o autor Lester Sumrall corretamente menciona que o diabo ilude as pessoas com conceitos errados acerca do pecado e de Deus, para mant\u00ea-las escravizadas a determinados h\u00e1bitos pecaminosos; mas responsabiliza tais indiv\u00edduos por n\u00e3o serem capazes de romper com tais h\u00e1bitos: (1) muitos n\u00e3o desejam realmente renunciar ao prazer que o pecado lhes traz; (2) outros s\u00e3o orgulhosos demais para buscar ajuda; (3) outros se concentram em assuntos secund\u00e1rios em vez de irem \u00e0 raiz do problema; (4) ainda outros s\u00e3o inconstantes: desejam mudar, mas n\u00e3o ao ponto de renunciar \u00e0queles h\u00e1bitos e sentimentos familiares. Ele conclui dizendo que \u00e9 somente atrav\u00e9s de um esfor\u00e7o espiritual constante que poderemos nos libertar de padr\u00f5es rotineiros de pecado.(42) O que desejo destacar nesse artigo de Sumrall \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o equilibrada entre o reconhecimento de que Satan\u00e1s pode iludir as pessoas ao pecado e a responsabilidade \u00faltima que cada pessoa tem diante de Deus por se deixar iludir e praticar a iniquidade. Infelizmente, essa \u00faltima \u00eanfase tem faltado em muitas das publica\u00e7\u00f5es defendendo a &#8220;batalha espiritual&#8221;. A tend\u00eancia geralmente \u00e9 resolver o problema da escravid\u00e3o ao pecado em termos de expuls\u00e3o de dem\u00f4nios supostamente respons\u00e1veis pelos mesmos, em vez do emprego dos meios b\u00edblicos como a disciplina espiritual,, como mencionado no artigo de Sumrall. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Perdermos de vista o ensino b\u00edblico de que devemos resistir ao pecado. \u00c9 importante observar que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil distinguir entre os problemas comuns da vida e ataques de esp\u00edritos malignos. A dificuldade aumenta quando descobrimos que a B\u00edblia menciona que, al\u00e9m de Satan\u00e1s, somos ainda tentados pela carne, pelo mundo e pelas circunst\u00e2ncias adversas dessa vida. O que muitos defensores da &#8220;batalha espiritual&#8221; parecem n\u00e3o perceber \u00e9 que a maioria dos nossos problemas, dificuldades e sofrimentos di\u00e1rios se originam da combina\u00e7\u00e3o entre nossa &#8220;bagagem de mis\u00e9ria humana b\u00e1sica&#8221; (predisposi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, ambiente familiar, defici\u00eancias pessoais) e nossas tend\u00eancias pecaminosas (amargura, ira, raiva, ego\u00edsmo). O mundo e o diabo completam o quadro, interagindo entre si para criar situa\u00e7\u00f5es de conflito, que s\u00e3o por vezes t\u00e3o complexas, que n\u00e3o conseguimos classific\u00e1-las claramente. O que \u00e9 mais interessante em tudo isso, \u00e9 que as Escrituras oferecem aos crentes uma maneira padr\u00e3o de agir nessas circunst\u00e2ncias, seja qual for a origem \u2014 ou origens \u2014 do conflito: submeter-se a Deus, arrepender-se dos pecados, e resistir ao diabo \u2014 e ele fugir\u00e1 (Tg 4.7-10).(43) Entendendo a batalha espiritual somente em termos de ataques de esp\u00edritos malignos, muitos hoje t\u00eam negligenciado o ensino b\u00edblico acerca da necessidade de santifica\u00e7\u00e3o, disciplina espiritual e resist\u00eancia moral contra as tenta\u00e7\u00f5es \u2014 sejam elas da carne, do mundo ou do diabo. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Portanto, \u00e9 extremamente importante que mantenhamos firmes em nossas mentes o ensino b\u00edblico de que o homem \u00e9 um ser deca\u00eddo e que est\u00e1 debaixo do justo ju\u00edzo de Deus. \u00c9 importante, n\u00e3o por que desejamos enfatizar morbidamente essas tristes verdades. Mas, porque precisamos compreender claramente a natureza das mis\u00e9rias e dos males que acometem as pessoas, a responsabilidade que t\u00eam nelas, e de que forma devem reagir. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><b>4. Se algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo \u00e9 uma nova cria\u00e7\u00e3o. <\/b>O leitor dever\u00e1 ter percebido que o t\u00edtulo acima \u00e9 na verdade uma parte das palavras de Paulo em 2 Cor\u00edntios 5.17, &#8220;E, assim, se algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 nova criatura; as coisas antigas j\u00e1 passaram; eis que se fizeram nova&#8221; (ARA). Preferi traduzir a palavra ktisis como &#8220;cria\u00e7\u00e3o&#8221; e n\u00e3o como &#8220;criatura&#8221; pelos seguintes motivos: (1) Das 19 vezes que a palavra ktisis ocorre no Novo Testamento, a grande maioria \u00e9 traduzida por &#8220;cria\u00e7\u00e3o&#8221; (cf. Mc 10.6; 13.19; Rm 1.20; 8.19-22; Cl 1.15, entre outros), embora em alguns casos a tradu\u00e7\u00e3o &#8220;criatura&#8221; seja poss\u00edvel. (2) Algumas das tradu\u00e7\u00f5es mais respeitadas internacionalmente preferem tamb\u00e9m &#8220;cria\u00e7\u00e3o&#8221; em vez de &#8220;criatura&#8221;, como a RSV e a NVI. (3) &#8220;Cria\u00e7\u00e3o&#8221; expressa melhor o sentido do que Paulo deseja dizer em 2 Co 5.17. Seu ponto n\u00e3o \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e espiritual que acontece com uma pessoa que est\u00e1 em Cristo (como na tradu\u00e7\u00e3o da BLH, &#8220;\u00e9 uma nova pessoa&#8221;), mas sua participa\u00e7\u00e3o na nova cria\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi iniciada por Deus em Cristo. O contraste coisas &#8220;antigas&#8221; e &#8220;novas&#8221; n\u00e3o \u00e9 um contraste entre o tempo antes e depois da convers\u00e3o da pessoa a Cristo, mas entre o per\u00edodo antes e depois da vinda de Cristo, entre a velha era e a nova. As palavras de Paulo devem ser entendidas, n\u00e3o psicologicamente, mas escatologicamente, em termos do seu ensino sobre o raiar da nova era em Cristo, do in\u00edcio da nova cria\u00e7\u00e3o em Cristo, da qual ele \u00e9 o primog\u00eanito.(44) J\u00e1 tratamos acima acerca do ensino paulino sobre as duas eras. Evidentemente esse conceito abrange o outro, de que a pessoa se torna uma nova pessoa interiormente, mas aponta para ainda outras caracter\u00edsticas da obra de Cristo em favor da Sua igreja. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entendido dessa perspectiva o verso est\u00e1 dizendo que se algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo ele faz parte da nova cria\u00e7\u00e3o, da nova humanidade cujo cabe\u00e7a \u00e9 Cristo, e desfruta de todos os privil\u00e9gios desse novo status. Outras passagens do Novo Testamento nos completam o quadro: quem est\u00e1 em Cristo goza aqui e agora da presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo como penhor do que ainda h\u00e1 por vir (Ef 1.14); experimenta o gozo e os poderes do mundo vindouro (Hb 6.4-5); compartilha da natureza de Cristo como prim\u00edcia da ressurrei\u00e7\u00e3o ainda por ocorrer; j\u00e1 tem a vida eterna que significa conhecer a Deus e ao Seu Filho Jesus Cristo (Jo 17.1-3); desfruta de um novo cora\u00e7\u00e3o (S<br \/>\nl 51.10; Ez 11.19; 36.26; Jo 3.3; Gl 6.15); foi liberto do dom\u00ednio do pecado e da lei (Rm 6.1-14; 7.1-6); \u00e9 guiado pelo Esp\u00edrito de Deus (Rm 8.1-17). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As Escrituras enfatizam especialmente a nova rela\u00e7\u00e3o que aquele que est\u00e1 em Cristo mant\u00e9m com Deus. Antigamente era filho da ira, dominado pelo mundo, pela carne e pelo diabo e debaixo do ju\u00edzo de Deus (Ef 2.1-3); agora, foi perdoado e aceito por Deus, adotado como filho em Cristo; j\u00e1 nenhuma condena\u00e7\u00e3o existe contra ele (Rm 8.1). Ele n\u00e3o mais pertence a esse mundo que se desfaz, mas \u00e0 \u00e9poca vindoura que j\u00e1 raiou no presente. Assim, Satan\u00e1s j\u00e1 n\u00e3o tem mais qualquer autoridade ou direito sobre ele, apesar de ainda tent\u00e1-lo ao pecado. Nas palavras do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, &#8220;o maligno n\u00e3o lhe toca&#8221; (1 Jo 5.18). Basta um estudo simples nas Escrituras, da linguagem usada para descrever nossa reden\u00e7\u00e3o, para que n\u00e3o fique qualquer d\u00favida de que o crente, \u00e0 semelhan\u00e7a de um escravo exposto \u00e0 venda na pra\u00e7a, foi comprado por pre\u00e7o, e que, agora, passa a pertencer totalmente ao novo dono. O antigo patr\u00e3o n\u00e3o tem mais qualquer direito sobre ele, como rezava a legisla\u00e7\u00e3o romana da \u00e9poca. Assim, Paulo diz que fomos comprados por pre\u00e7o (1 Co 6.20; agorazo, &#8220;comprar, redimir, pagar um resgate para libert\u00e1-lo&#8221;), e que sendo agora livres, n\u00e3o devemos nos deixar outra vez escravizar (1 Co 7.23). Fomos resgatados (lutrow) pelo precioso sangue de Cristo (1 Pe 1.18; cf. Ap 5.9). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O ensino b\u00edblico acerca da rela\u00e7\u00e3o que o crente desfruta com Deus precisa ser enfatizado em nossos dias, particularmente as suas implica\u00e7\u00f5es. A julgar por muito do que \u00e9 dito por defensores do movimento de &#8220;batalha espiritual&#8221; quanto \u00e0 atua\u00e7\u00e3o e ao poder dos esp\u00edritos malignos na vida dos crentes, falta-lhes uma vis\u00e3o e uma compreens\u00e3o mais exata quanto ao ensino do Novo Testamento sobre o ser nova criatura, ou melhor, nova cria\u00e7\u00e3o bem como quanto \u00e0s implica\u00e7\u00f5es desse ensino para a &#8220;batalha espiritual&#8221;. H\u00e1 pelo menos dois ensinamentos da &#8220;batalha espiritual&#8221; que acabam por minimizar a efic\u00e1cia da obra de Cristo, que s\u00e3o: a demoniza\u00e7\u00e3o de crentes verdadeiros e a necessidade de quebrar maldi\u00e7\u00f5es. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Primeiro, vejamos o conceito de que crentes verdadeiros podem ser demonizados. Ela tem se tornado t\u00e3o popular, que muitos artigos de revistas teol\u00f3gicas especializadas em aconselhamento, ao tratar das caracter\u00edsticas da demoniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fazem qualquer distin\u00e7\u00e3o entre crentes e descrentes.(45) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mas, o que \u00e9 &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221;? \u00c9 importante entendermos bem o que querem dizer quando empregam esse termo. H\u00e1 quatro coisas que definem bem esse conceito: <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Demoniza\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente de possess\u00e3o demon\u00edaca. Frank Peretti, pastor licenciado da Assembl\u00e9ia de Deus e autor do best seller de 1998 Esse Mundo Tenebroso, um crist\u00e3o n\u00e3o pode ficar possu\u00eddo por um dem\u00f4nio, mas pode ser &#8220;demonizado&#8221;.(46) N\u00e3o somente Peretti, mas muitos l\u00edderes do movimento de &#8220;batalha espiritual&#8221; seguem a mesma distin\u00e7\u00e3o, como por exemplo, no Brasil, Gilberto Pickering. Em seu livro Guerra Espiritual ele acusa os tradutores da vers\u00e3o King James de terem colocado a Igreja na dire\u00e7\u00e3o errada ao traduzir o termo grego daimonizomai e seus cognatos por &#8220;possess\u00e3o demon\u00edaca&#8221;, tradu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m adotada pela Almeida.(47) A express\u00e3o &#8220;possess\u00e3o demon\u00edaca&#8221; e mesmo &#8220;endemoninhamento&#8221;, segundo Pickering, implica na posse por parte de Satan\u00e1s da vida e do destino de uma pessoa.(48) Nesse caso, s\u00f3 h\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es: ou algu\u00e9m est\u00e1 possu\u00eddo por um esp\u00edrito maligno, ou n\u00e3o est\u00e1. <\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Demoniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno parcial. O ponto defendido \u00e9 que existem graus diferentes em que uma pessoa \u2014 mesmo um crente \u2014 est\u00e1 debaixo do controle e influ\u00eancia de Satan\u00e1s. Da\u00ed a prefer\u00eancia pela tradu\u00e7\u00e3o &#8220;demonizado&#8221; ou &#8220;endemoninhado&#8221;, pois expressa a id\u00e9ia de que uma pessoa, mesmo um crente, pode ter alguma \u00e1rea de sua vida debaixo do controle parcial de um ou mais dem\u00f4nios, sem necessariamente estar &#8220;possesso&#8221; por eles. Powlison, em sua cr\u00edtica \u00e0 &#8220;batalha espiritual&#8221;, descreve este conceito fazendo um paralelo entre a personalidade humana infestada em diversas \u00e1reas por dem\u00f4nios e o disco r\u00edgido de um computador, onde determinadas \u00e1reas est\u00e3o infectadas com um ou mais v\u00edrus.(49) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Portanto, muitos defensores da &#8220;batalha espiritual&#8221; negariam que um crente pode ficar possesso de um esp\u00edrito imundo, mas afirmam que ele pode ficar &#8220;demonizado&#8221;, isto \u00e9, com alguma \u00e1rea de sua vida debaixo do controle de um ou mais dem\u00f4nios.(50) Na verdade, v\u00e3o ao ponto de dizer que n\u00e3o existe &#8220;possess\u00e3o demon\u00edaca&#8221; nem mesmo de incr\u00e9dulos \u2014 o que h\u00e1 \u00e9 &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221;.(51) Portanto, a explica\u00e7\u00e3o que d\u00e3o para um comportamento moral il\u00edcito \u00e9 de que os dem\u00f4nios do pecado est\u00e3o entrincheirados no cora\u00e7\u00e3o humano. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A demoniza\u00e7\u00e3o ocorre por causas bem definidas. Aparentemente, eles entendem que a &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 uma influ\u00eancia maligna na vida de uma pessoa, superior \u00e0 daquela da tenta\u00e7\u00e3o, em que um ou mais dem\u00f4nios v\u00eam habitar na pessoa, fazendo-a ficar confusa, incr\u00e9dula, e especialmente escravizada a determinados h\u00e1bitos pecaminosos. A pessoa cai v\u00edtima desta opress\u00e3o demon\u00edaca por causa de seus pecados, ou por causa dos pecados de outros contra ela, como por exemplo, a molesta\u00e7\u00e3o sexual durante a inf\u00e2ncia.(52) A &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221; de um crente verdadeiro pode ocorrer ainda por v\u00e1rios outros motivos: o pecado de seus antepassados, \u00f3dio, amargura e rebeli\u00e3o durante a inf\u00e2ncia, pecados sexuais, maldi\u00e7\u00f5es e pragas rogadas por outros, e envolvimento com o ocultismo.(53) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tais coisas d\u00e3o autoridade aos dem\u00f4nios para invadi-las. O mesmo ocorre por causa de maldi\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias. Qualquer que seja a causa, os dem\u00f4nios invadem a vida das pessoas e nelas habitam. No caso dos crentes, eles permanecem em constante conflito com o Esp\u00edrito Santo, que tamb\u00e9m habita nos crentes.(54) Segundo alguns, estes dem\u00f4nios invasores podem ficar habitando no corpo ou na alma do crente.(55) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Demoniza\u00e7\u00e3o e vida em pecado andam juntas. O efeito da demoniza\u00e7\u00e3o de crentes ou descrentes, segundo Murphy, \u00e9 uma vida em pecado, geralmente nas \u00e1reas de pr\u00e1ticas sexuais il\u00edcitas, \u00f3dio, m\u00e1goa, rancor, rebeli\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o de culpa, rejei\u00e7\u00e3o e vergonha, atra\u00e7\u00e3o ao ocultismo e ao mundo dos esp\u00edritos.(56) Segundo Murphy, o processo de demoniza\u00e7\u00e3o de um crente \u00e9 geralmente o seguinte: o primeiro dem\u00f4nio invade a sua vida, e abre as portas para que outros venham. Se n\u00e3o forem detectados e expulsos, permanecer\u00e3o l\u00e1, habitando no crente, e gradativamente ganhar\u00e3o controle sobre as sua emo\u00e7\u00f5es, at\u00e9 finalmente atingirem o centro de sua personalidade. Crentes demonizados n\u00e3o poder\u00e3o prosseguir sozinhos na vida crist\u00e3; precisam de ajuda de algu\u00e9m que expu<br \/>\nlse estas entidades de suas vidas.(57) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Embora o conceito de &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221; seja uma \u00f3tima explica\u00e7\u00e3o para os h\u00e1bitos pecaminosos que escravizam muitos crentes, ele esbarra em algumas dificuldades exeg\u00e9ticas e teol\u00f3gicas. H\u00e1 pelo menos quatro delas que podemos mencionar. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O problema \u00e9 mais que uma quest\u00e3o de tradu\u00e7\u00e3o. Mudar a tradu\u00e7\u00e3o de daimonizomai (&#8220;possess\u00e3o demon\u00edaca&#8221;) para &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o resolve o problema levantado pela sugest\u00e3o de que crentes verdadeiros podem se tornar escravos de dem\u00f4nios, mesmo que seja em apenas algumas \u00e1reas morais da sua vida. Embora o \u00faltimo termo traduza de forma mais literal a express\u00e3o b\u00edblica, o primeiro expressa melhor o seu sentido. Algu\u00e9m &#8220;demonizado&#8221; est\u00e1 debaixo do controle de um dem\u00f4nio. Existe alguma \u00e1rea de sua vida \u2014 ou sua vida toda \u2014 que est\u00e1 possu\u00edda por aquela entidade. \u00c9 este o sentido da express\u00e3o. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nos casos mencionados nos Evangelhos e Atos, os endemoninhados estavam afligidos por dist\u00farbios, quer mentais ou f\u00edsicos (paralisia, cegueira, surdez, epilepsia, loucura, cf. Mt 4.24; 8.28; 9.23; 12.22; 15.22). Seus corpos e mentes haviam sido invadidos por dem\u00f4nios. A causa nunca \u00e9 citada no Novo Testamento. O efeito \u00e9 que tais pessoas estavam debaixo do controle destes seres, que n\u00e3o somente as afligiam, mas as haviam privado da raz\u00e3o, \u00e0s vezes da sa\u00fade e do controle f\u00edsico. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nos Evangelhos, as atitudes e rea\u00e7\u00f5es das pessoas &#8220;demonizadas&#8221; s\u00e3o atribu\u00eddas aos dem\u00f4nios que as invadiram, ver Mc 3.11; Mt 8.31; Mc 1.26; Lc 4.35; At 5.16; et al. Portanto, n\u00e3o \u00e9 de se admirar que os tradutores, quase que universalmente, tem traduzido o verbo daimonizomai indicando possess\u00e3o demon\u00edaca. \u00c9 que se trata da invas\u00e3o de dem\u00f4nios na vida, no corpo, na mente e na personalidade das pessoas, chegando ao ponto de escraviz\u00e1-lo a certos pecados e atitudes. Admitir que um crente esteja &#8220;demonizado&#8221; \u00e9 admitir que ele est\u00e1 debaixo do controle de Satan\u00e1s, cativo \u00e0 sua vontade, impelido a estas atitudes compulsivas. E portanto, mesmo que a terminologia foi trocada, permanece a quest\u00e3o se um crente pode ter dem\u00f4nios habitando em seu corpo, o qual \u00e9 igualmente habitado pelo Esp\u00edrito Santo.(58) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O conceito agride textos claros quanto aos privil\u00e9gios dos crentes. A quest\u00e3o \u00e9 realmente aguda, pois a Escritura ensina que o crente est\u00e1 assentado com Cristo nos lugares celestiais, acima de todos os principados e potestades (Ef 1.21-22). O crente est\u00e1 em Cristo, e Cristo nada tem a ver com o maligno (Jo 14.30). E, naturalmente, o diabo n\u00e3o toca os que s\u00e3o de Cristo (1 Jo 5.18), pois o que est\u00e1 no crente (o Esp\u00edrito Santo) \u00e9 maior que os esp\u00edritos malignos que habitam neste mundo (1 Jo 4.4). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O pecado \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 natureza deca\u00edda do homem. Os dem\u00f4nios denominados pela &#8220;batalha espiritual&#8221; como sendo dem\u00f4nios da lasc\u00edvia, do \u00f3dio, da ira, da vingan\u00e7a, da embriagues, da inveja, e assim por diante, n\u00e3o aparecem no Novo Testamento. Estas coisas s\u00e3o, na verdade, as obras da carne mencionadas por Paulo em G\u00e1latas 5.19-21. A solu\u00e7\u00e3o para estes pecados n\u00e3o \u00e9 expulsar dem\u00f4nios que supostamente os produzem, mas arrependimento, confiss\u00e3o, e santifica\u00e7\u00e3o. O conceito de &#8220;crente demonizado&#8221;, na realidade, em vez de produzir a mortifica\u00e7\u00e3o da nossa natureza pecaminosa como as Escrituras determinam (Cl 3.8; Rm 8.13), fornece uma desculpa e uma racionaliza\u00e7\u00e3o para o pecado, as quais a nossa natureza pecaminosa sempre \u00e9 r\u00e1pida em usar. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Falta comprova\u00e7\u00e3o b\u00edblica da demoniza\u00e7\u00e3o de crentes. Al\u00e9m disto, falta a necess\u00e1ria comprova\u00e7\u00e3o b\u00edblica de que podemos e devemos expulsar dem\u00f4nios da vida de crentes verdadeiros. Jesus nunca expulsou dem\u00f4nios de quem era seu disc\u00edpulo \u2014 Maria Madalena, de quem Jesus expulsou sete esp\u00edritos malignos, certamente se converteu naquela ocasi\u00e3o (Lc 8.2). Os ap\u00f3stolos, igualmente, nunca expulsaram dem\u00f4nios de crentes das igrejas locais. O Novo Testamento \u00e9 absolutamente silencioso a este respeito; silencia igualmente quanto \u00e0s causas que levaram determinadas pessoas a ficarem endemoninhadas. O Novo Testamento apenas descreve o encontro de Jesus e dos ap\u00f3stolos com pessoas endemoninhadas, mas em nenhum caso revela como o endemoninhamento aconteceu, se foi por causa de pecados pessoais, pelos pecados de outros, por maldi\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias, ou qualquer outros dos motivos alegados pelos proponentes da &#8220;batalha espiritual&#8221;. N\u00e3o devemos tentar satisfazer a nossa curiosidade baseados em especula\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias pessoais. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo, a quebra de maldi\u00e7\u00f5es. Esse ensinamento caracter\u00edstico da &#8220;batalha espiritual&#8221; tende igualmente a minimizar a perfei\u00e7\u00e3o e a efic\u00e1cia da obra de Cristo na vida do crente. Podemos resumir esse conceito em quatro pontos. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os filhos pagam pelos erros dos pais. Os pecados, v\u00edcios, e pactos demon\u00edacos feitos pelos antepassados de um crente afetam negativamente a sua exist\u00eancia presente. Maldi\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias s\u00e3o aquelas que herdamos dos nossos pais e antepassados em decorr\u00eancia desses erros que eles cometeram. Este conceito procura basear-se em \u00caxodo 20.5, onde Deus afirma que castiga a maldade dos pais nos filhos at\u00e9 a terceira e quarta gera\u00e7\u00e3o. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A transmiss\u00e3o gen\u00e9tica de dem\u00f4nios. Autores como Rodovalho chegam a sugerir que os esp\u00edritos &#8220;familiares&#8221; passam dos pais para os filhos atrav\u00e9s dos genes.(59) Dessa forma, eles se perpetuam na fam\u00edlia gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o. Isso explicaria porque determinadas fam\u00edlias sofrem de pecados ou trag\u00e9dias caracter\u00edsticas em suas linhagens. Por exemplo, fam\u00edlias que atrav\u00e9s dos s\u00e9culos s\u00e3o marcadas por casos e mais casos de suic\u00eddios s\u00e3o v\u00edtimas de um &#8220;esp\u00edrito familiar&#8221; de suic\u00eddio, que entrou na linhagem por algum motivo e s\u00f3 sair\u00e1 com a quebra da maldi\u00e7\u00e3o e a repara\u00e7\u00e3o do pecado que lhe deu a oportunidade. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O poder aben\u00e7oador e amaldi\u00e7oador das palavras. As pragas, maldi\u00e7\u00f5es ou palavras m\u00e1s proferidas diretamente contra n\u00f3s no presente tamb\u00e9m t\u00eam o poder de nos tornar infelizes, de perturbar nossas vidas. Maldi\u00e7\u00f5es podem incluir frases dos nossos pais como &#8220;menino, vai para o diabo que te carregue!&#8221;. Atrav\u00e9s delas, os dem\u00f4nios recebem autoridade para entrar em nossas vidas e torn\u00e1-las em mis\u00e9ria, dor e sofrimento. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A necessidade de quebrar essas maldi\u00e7\u00f5es. Mesmo um verdadeiro crente pode deixar de alcan\u00e7ar a plena felicidade nesse mundo caso esteja &#8220;amaldi\u00e7oado&#8221;, isso \u00e9, debaixo de alguma maldi\u00e7\u00e3o. Caso n\u00e3o as quebre, pad<br \/>\necer\u00e1 nas m\u00e3os dos dem\u00f4nios, que recebem poder para atorment\u00e1-lo atrav\u00e9s delas. O processo consiste em localizar e identificar estas maldi\u00e7\u00f5es, e anul\u00e1-las &#8220;em nome de Jesus&#8221;. A &#8220;quebra&#8221; destas maldi\u00e7\u00f5es o caminho para a liberta\u00e7\u00e3o.(60) No caso de maldi\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias, alguns aconselham que se trace a \u00e1rvore geneal\u00f3gica da nossa fam\u00edlia, procurando identificar as pragas, maldi\u00e7\u00f5es, pecados e pactos com dem\u00f4nios feitos por eles no passado, para depois anul\u00e1-los, quebrando-os e rejeitando-os em nome de Jesus.(61) <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9 verdade que podemos experimentar as conseq\u00fc\u00eancias dos erros da nossa fam\u00edlia. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que as palavras podem ser usadas para destruir vidas. \u00c9 igualmente verdadeiro que devemos rejeitar todas as obras das trevas, cuidar das nossas palavras e n\u00e3o sermos coniventes com os pecados de nossos antepassados e parentes ao nosso redor. Contudo, o ensino de &#8220;quebra de maldi\u00e7\u00f5es&#8221; vai muito al\u00e9m disso. Existem quatro cr\u00edticas que podemos fazer a ele. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Uso parcial da evid\u00eancia b\u00edblica. Geralmente o texto usado para defender o conceito de que os filhos pagam pelos erros dos pais \u00e9 \u00caxodo 20.5, onde Deus amea\u00e7a visitar a maldade dos pais nos filhos, at\u00e9 a terceira e quarta gera\u00e7\u00e3o dos que o aborrecem. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entretanto, ensinar que Deus faz cair sobre os filhos as conseq\u00fc\u00eancias dos pecados dos pais, \u00e9 s\u00f3 metade da verdade. A Escritura nos diz igualmente que se um filho de pai id\u00f3latra e ad\u00faltero vir as obras m\u00e1s de seu pai, temer a Deus, e andar em Seus caminhos, nada do que o pai fez vir\u00e1 cair sobre ele. A convers\u00e3o e o arrependimento individuais &#8220;quebram&#8221;, na exist\u00eancia das pessoas, a &#8220;maldi\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria&#8221; (um efeito somente poss\u00edvel por causa da obra de Cristo). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Este foi o ponto enfatizado pelo profeta Ezequiel em sua prega\u00e7\u00e3o ao povo de Israel da \u00e9poca (leia cuidadosamente Ezequiel 18). A na\u00e7\u00e3o de Israel havia sido levada em cativeiro para a Babil\u00f4nia, e os judeus cativos se queixavam de Deus dizendo &#8220;Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos \u00e9 que se embotaram. . .&#8221; (Ez 18.2b) \u2014 ou seja, &#8220;nossos pais pecaram, e n\u00f3s \u00e9 que sofremos as conseq\u00fc\u00eancias&#8221;. Eles estavam transferindo para seus pais a responsabilidade pelo castigo divino que lhes sobreveio, que foi o desterro para a terra dos caldeus. Achavam que era injusto que estivessem pagando pelo pecado de idolatria dos seus pais. Usavam um prov\u00e9rbio da \u00e9poca, que nos nossos dias seria mais ou menos assim: &#8220;Nossos pais comeram a feijoada, mas n\u00f3s \u00e9 que tivemos a dor de barriga. . .&#8221; <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Atrav\u00e9s do profeta Ezequiel, Deus os repreendeu, afirmando que a responsabilidade moral \u00e9 pessoal e individual diante dele: &#8220;A pessoa que pecar, \u00e9 ela quem morrer\u00e1 \u2014 n\u00e3o o seu pai ou a sua m\u00e3e&#8221; (Ez 18.4b, 20). E que pela convers\u00e3o e por uma vida reta, o indiv\u00edduo est\u00e1 livre da &#8220;maldi\u00e7\u00e3o&#8221; dos pecados de seus antepassados, ver 18.14-19. Esta passagem \u00e9 muito importante, pois nos mostra de que maneira o pr\u00f3prio Deus interpreta (atrav\u00e9s de Ezequiel) o significado de \u00caxodo 20.5. Aplicando aos nossos dias, fica evidente que o crente verdadeiro j\u00e1 rompeu com seu passado, e com as implica\u00e7\u00f5es espirituais dos pecados dos seus antepassados, quando, arrependido, veio a Cristo em f\u00e9. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Minimiza\u00e7ao dos efeitos da obra de Cristo. Esse \u00e9 a nossa maior preocupa\u00e7\u00e3o. O ap\u00f3stolo Paulo nos esclarece que o escrito de d\u00edvida que nos era contr\u00e1rio, a maldi\u00e7\u00e3o da lei, foi tornado sem qualquer efeito sobre n\u00f3s: Jesus o anulou na cruz (Cl 2.13-15; Gl 3.13). Ou seja, toda e qualquer condena\u00e7\u00e3o que pesava sobre n\u00f3s foi removida completamente quando Cristo pagou, de forma suficiente e eficaz, nossa culpa diante de Deus. Ora, se a obra de Cristo no Calv\u00e1rio em nosso favor foi poderosa o suficiente para remover de sobre n\u00f3s a pr\u00f3pria maldi\u00e7\u00e3o da santa lei de Deus, quanto mais qualquer coisa que poderia ser usada por Satan\u00e1s para reivindicar direitos sobre n\u00f3s, inclusive pactos feitos com entidades malignas, por n\u00f3s, ou por nossos pais, na nossa ignor\u00e2ncia. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Basta um estudo simples nas Escrituras, da linguagem usada para descrever nossa reden\u00e7\u00e3o, para que n\u00e3o fique qualquer d\u00favida de que o crente, \u00e0 semelhan\u00e7a de um escravo exposto \u00e0 venda na pra\u00e7a, foi comprado por pre\u00e7o, e que, agora, passa a pertencer totalmente ao seu novo senhor. O antigo patr\u00e3o n\u00e3o tem mais qualquer direito sobre ele, como rezava a legisla\u00e7\u00e3o romana da \u00e9poca. Assim, Paulo diz que fomos comprados por pre\u00e7o (1 Co 6.20; agorazw, comprar, redimir, pagar um resgate \u2014 termo usado para o ato de comprar um escravo na pra\u00e7a, ou pagar seu resgate para libert\u00e1-lo), e que sendo agora livres, n\u00e3o devemos nos deixar outra vez escravizar (1 Co 7.23). Fomos resgatados (lutrow) pelo precioso sangue de Cristo (1 Pe 1.18; cf. Ap 5.9). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando vivemos \u00e0 luz da gloriosa verdade de que &#8220;se algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo \u00e9 nova cria\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o tememos pragas, maldi\u00e7\u00f5es, encostos, mau-olhado, &#8220;olho gordo&#8221;, despachos, trabalhos. Igualmente vivemos seguros de que n\u00e3o somos &#8220;amaldi\u00e7oados&#8221; por qualquer dos pecados de nossos pais: tudo foi anulado na cruz. N\u00e3o estou dizendo que os verdadeiros crist\u00e3os gozam de uma imunidade autom\u00e1tica quanto \u00e0 influ\u00eancia de esp\u00edritos malignos. \u00c9 preciso revestir-se da for\u00e7a do Senhor e de toda armadura de Deus para que possam resistir \u00e0s astutas ciladas do diabo.(62) Meu objetivo foi deixar clara a import\u00e2ncia de abra\u00e7armos o ensino correto sobre a situa\u00e7\u00e3o daquele que est\u00e1 em Cristo. Saber o que isso significa nos dar\u00e1 o par\u00e2metros corretos para avaliarmos os freq\u00fcentes relatos de experi\u00eancias estranhas que ouvimos de evang\u00e9licos ao nosso redor, que parecem minimizar ou diminuir a sufici\u00eancia da obra de Cristo em favor dos que s\u00e3o seus. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Conclus\u00e3o Meu alvo nesse artigo foi abordar alguns dos principais ensinos do movimento de &#8220;batalha espiritual&#8221; partindo do contexto doutrin\u00e1rio maior onde o mesmo se encaixa. Analisando os temas maiores que controlam a \u00e1rea de demonologia b\u00edblica procurei mostrar que muitas das distor\u00e7\u00f5es apresentadas pela demonologia do movimento se devem ao fato que ele enfoca determinados ensinos fora dos contextos a que pertencem. Quando analisamos a atua\u00e7\u00e3o demon\u00edaca da perspectiva do ensino b\u00edblico sobre a soberania de Deus, a sufici\u00eancia das Escrituras, a queda do homem e a plena reden\u00e7\u00e3o em Cristo, verificamos que &#8220;batalha espiritual&#8221; n\u00e3o pode se tornar a porta de entrada ou o tema dominante de uma teologia ou de uma estrat\u00e9gia mission\u00e1ria adequados para a Igreja de Cristo. Seria reduzir e distorcer o ensino mais completo das Escrituras. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Embora reconhe\u00e7amos que existe um conflito se desenrolando no presente entre a Igreja e as hostes das trevas, temos d\u00favidas de que o mesmo deva ser o ponto<br \/>\nfocal da reflex\u00e3o e da praxis da igreja de Cristo em nossos dias, visto que est\u00e1 subordinado a muitos outros pontos mais abrangentes e fundamentais. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Igreja deve guiar-se pelos pontos mais centrais do ensinamento b\u00edblico. Atrav\u00e9s deles colocar\u00e1 na perspectiva correta qualquer novo assunto que surja. Nesse cap\u00edtulo enumerei quatro desses pontos que controlam, ao meu ver, a compreens\u00e3o adequada dos ensinamentos da &#8220;batalha espiritual: a soberania de Deus, a sufici\u00eancia das Escrituras, a decad\u00eancia da ra\u00e7a humana e a sufici\u00eancia da obra de Cristo. Uma vez que esses pontos sejam firmemente defendidos e ensinados haver\u00e1 pouco espa\u00e7o para que os erros da &#8220;batalha espiritual&#8221; penetrem. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Notas 1 Por exemplo, veja-se o livro de Paulo Romeiro, da Assembl\u00e9ia de Deus, Evang\u00e9licos em Crise: Decad\u00eancia Doutrin\u00e1ria na Igreja Brasileira (S\u00e3o Paulo: Mundo Crist\u00e3o, 1995), onde ele faz severas cr\u00edticas ao movimento. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2 Veja extratos desta declara\u00e7\u00e3o em Mike Wakely, &#8220;A critical look at a new \u2018key\u2019 to evangelization&#8221;, em Evangelical Missions Quarterly, (Abril, 1995) 156-57. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">3 Boa parte do material aqui apresentado apareceu na minha obra, O que Voc\u00ea Precisa Saber sobre Batalha Espiritual (S\u00e3o Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1997), e \u00e9 reproduzido aqui com permiss\u00e3o. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">4 I. H. Marshall, Atos: Introdu\u00e7\u00e3o e Coment\u00e1rio, em S\u00e9rie Cultura B\u00edblica (S\u00e3o Paulo, Vida Nova: 1985). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">5 Cf. por exemplo, G. Van Groningen, O. Palmer Robertson, e outros. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">6 Institutas, III, 7, 1. O reconhecimento da soberania de Deus era uma das principais caracter\u00edsticas da doutrina de Calvino, cf. Ken Myers, &#8220;Calvin and culture&#8221;, em Tabletalk, 19\/10 (1995) 58-59. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">7 Ross W.Marrs, &#8220;God&#8217;s nest egg&#8221;, em Clergy Journal, Maio\/Junho de 1989, pp. 30-34. Outros autores falam de Deus como soberano, mas n\u00e3o no sentido de pleno dom\u00ednio sobre suas criaturas morais. <\/span><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">Cf. por exemplo Quetin Schultze, &#8220;Culture watch: the crossover music question&#8221;, em Moody, Out. 1992, pp. 30-32; Spiros Zodhiates, &#8220;Signs \u2014 why God gives them or refuses them&#8221;, em Pulpit Helps, Maio de 1990, pp. 1-5. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">8 Clark Pinnock, &#8220;God&#8217;s sovereignty in today&#8217;s world&#8221;, em Theology Today, 53\/1 (1996) 15-21. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">9 J. Long, em Discipleship Journal, Mar\u00e7o\/Abril de 1992. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">10 Para maiores detalhes sobre esta abordagem hist\u00f3rica, redentiva-escatol\u00f3gica dos ensinos do Novo Testamento, veja George Ladd, Teologia do Novo Testamento, 2a. edi\u00e7\u00e3o (Rio: JUERP, 1985) 24-32; Herman Ridderbos, Paulus: Ontwerp van zijn theologie (Kampen: Uitgeversmaatschappij, 1966) 40-55; The Coming of the Kingdom (Filad\u00e9lfia, PA: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1976) 104-115; Geerhardus Vos, Redemptive History and Biblical Interpretation (Phillipsburg, New Jersey: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1980). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">11 Guelich, Spiritual Warfare, 39. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">12 Ver o excelente livro de F. Solano Portela Neto, &#8220;Cinco Pecados que Amea\u00e7am os Calvinistas&#8221; (S\u00e3o Paulo, PES, 1997). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">13 Jay Adams, &#8220;Counseling and the sovereignty of God&#8221;, em Journal of Biblical Counseling, Inverno de 1993, pp. 4-9. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">14 John Piper, &#8220;Charles Spurgeon: preaching through adversity&#8221;, em Founders Journal, 23 (1996) pp. 5-21. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">15 Cf. por exemplo Merrill Unger, Biblical Demonoly, entre outros. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">16 Exemplos de obras assim s\u00e3o aquelas de Thomas Brooks (Precious Remedies Against Satan\u00b4s Devices), John Bunyan (O Peregrino) e William Gurnall (The Christian in Complete Armour). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">17 Neuza Itioka, &#8220;A Igreja e a Batalha Espiritual: Voc\u00ea Est\u00e1 em Guerra!&#8221; em S\u00e9rie Batalha Espiritual (S\u00e3o Paulo: Editora SEPAL, 1994) 29-30; 61-64. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">18 Ibid., 30, 52-53; 67-69; 49. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">19 C<\/span><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">. Peter Wagner, &#8220;Territorial Spirits and World Missions&#8221;, em Evangelical Missions Quarterly 25 (1989). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">20 Ibid., 278. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">21 Ibid., 279. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">22 Ibid., 278. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">23 Ibid., 282-284. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">24 Wakely, &#8220;A critical look&#8221;, 158. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text -align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">25 Ibid., 159. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">26 Wagner, &#8220;Territorial Spirits&#8221;., 284. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">27 Veja por exemplo Samuel Southard e Donna Southard, &#8220;Demonizing and mental illness (III): explanations and treatment, Seoul&#8221;, em Pastoral Psychology, (Inverno de 1986) pp. 132-151; T. Craig Isaacs, &#8220;The possessive states disorder: the diagnosis of demonic possession&#8221;, em Pastoral Psychology, (Ver\u00e3o de 1987) pp. 263-273. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">28 Christopher Rosik, &#8220;Multiple personality disorder: an introduction for pastoral counselors&#8221;, em Journal of Pastoral Care, (Outono de 1992) pp. 291-298 <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">29 Cf. Isaacs, &#8220;The possessive states&#8221;, 263-73. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">30 Rosik, &#8220;Multiple personality&#8221;, 291-298. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">31 Gary Greenwald, &#8220;The dangerous transference of spirits&#8221;, em Charisma &amp; Christian Life, (Outubro de 1990) pp. 110-120. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">32 Entretanto, o conceito de transfer\u00eancia (sem entrar no m\u00e9rito de que esp\u00edrito) ocorre em v\u00e1rias passagens b\u00edblicas; Nm 11.17; 2 Re 2.9,15; 15.27; 1 Co 2.12., o que exigir\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o do leitor na interpreta\u00e7\u00e3o dessas passagens. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">33 Thomas White, &#8220;Establishing your home as a spiritual refuge&#8221;, em Equipping the Saints, (Inverno de 1993) pp. 14-16. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">34 \u00c9 bom notar que o Catolicismo medieval, sob a influ\u00eancia de Aquino, adotara um semi-pelagianismo, mesmo que na antig\u00fcidade houvesse rejeitado o pelagianismo puro. Neste sistema, acreditava-se que o homem cooperava com a gra\u00e7a de Deus para a salva\u00e7\u00e3o. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">35 \u00c9 interessante que Paulo escreveu essas palavras aos crist\u00e3os de Roma, cidade conhecida pela degrada\u00e7\u00e3o moral j\u00e1 em sua \u00e9poca. Deste mesmo per\u00edodo s\u00e3o as palavras Romae omnia venalia esse (&#8220;Em Roma tudo est\u00e1 \u00e0 venda&#8221;), usadas por jovens aristocratas romanos na tentativa de descrever a Jugurta, jovem pr\u00edncipe n\u00famida, a corrup\u00e7\u00e3o reinante em sua p\u00e1tria. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">36 Shakespeare, O Mercador de Veneza, Ato II (palavras de Arag\u00e3o). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">37 Ibid. (palavras de Bass\u00e2nio). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">38 Jules Romains, Ascens\u00e3o dos Perigos. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">39 Cf. Curtis C. Mitchell, &#8220;Tactics against Temptations&#8221;, em Moody (Junho de 1989) 30-35. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">40 Veja a resenha de Magnus Fialho do livro Esp\u00edritos Territoriais editado por Peter Wagner, em Fides Reformata 1\/2 (1996) p. 133ss. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">41 Wakely, &#8220;A Critical look&#8221;, 160ss. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">42 Lester Sumrall, &#8220;Breaking compulsive behavior&#8221;, em Carisma &amp; Christian Life (Outubro de 1990) 68-72. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">43 Veja esse ponto em detalhes em Tom White, &#8220;Is this really warfare?&#8221; em Discipleship Journal, 81 (Maio\/Junho de 1994) 32-37. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">44 Veja a excelente exposi\u00e7\u00e3o dessa passagem por Herman Ridderbos em Paulus (1966). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">45 Isso n\u00e3o quer dizer que os autores n\u00e3o reconhe\u00e7am que h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o, mas sim que, em termos pr\u00e1ticos de aconselhamento, a filia\u00e7\u00e3o religiosa do paciente n\u00e3o faz diferen\u00e7a, cf. T. Carig Isaacs, &#8220;The possessive states disorder: the diagnosis of demon possession&#8221;; Christopher Rosik, &#8220;Multiple personality disorder&#8221;. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">46 Veja a resenha desse livro feita por Dan O\u2019Neil, &#8220;The supernatural world of Frank Peretti&#8221; em Charisma &amp; Christian Life (Maio de 1989) 48-52. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">47 Gilberto Pickering, Guerra Espiritual:Estrat\u00e9gias Mission\u00e1rias de Cristo (Rio de Janeiro: CPAD, 1987) 116. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">48 Ibid., 116-7. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">49 Powlison, Power Encounters, 30. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\" style=\"font-size: 12pt;\">50 Cf. Murphy, Handbook, 50-51; Cabezas, Desmascarado, 216-19. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">51 Murphy, Handbook, 51. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">52 Murphy defende veementemente este ponto, cf. Ibid., 449-462. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">53 Ibid., 437-48. Cf. Itioka, &#8220;A Igreja e a Batalha Espiritual&#8221;, 61-63. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">54 Murphy, Handbook, 429-3050 . <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">55 Itioka, &#8220;A Igreja e a Batalha Espiritual&#8221;, 65. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"E N-US\" style=\"font-size: 12pt;\">56 Murphy, Handbook, 433-44. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">57 Ibid., 434. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">58 Pickering, na tentativa de evitar o problema criado pela palavra do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o que o diabo n\u00e3o toca o que \u00e9 nascido de Deus (1 Jo 5.18), chega ao ponto de dizer que esta passagem se refere apenas \u00e0 nova natureza dentro do crente, enquanto que a velha natureza \u00e9 sujeita \u00e0 invas\u00f5es demon\u00edacas! (cf. Guerra Espiritual, 118-20) \u00c9 um exemplo claro de uma exegese a servi\u00e7o de conceitos teol\u00f3gicos pr\u00e9-concebidos. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">59 O uso do termo &#8220;esp\u00edrito familiar&#8221; para se referir a dem\u00f4nios que seguem fam\u00edlias se baseia numa interpreta\u00e7\u00e3o grosseira da tradu\u00e7\u00e3o da King James. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div>60 Um dos livros que mais tem servido para difundir estas id\u00e9ias no Brasil \u00e9 o da pentecostal Marilyn Hickey traduzido no Brasil com o t\u00edtulo Quebre a Cadeia da Maldi\u00e7\u00e3o Heredit\u00e1ria (Adhonep, 1988). Representantes brasileiros seriam, por exemplo, Valnice Milhomens, Robson Rodovalho (Quebrando as Maldi\u00e7\u00f5es Heredit\u00e1rias, [Bras\u00edlia: Koinonia, 1992] 5a. edi\u00e7\u00e3o, 1995), Jorge Linhares (B\u00ean\u00e7\u00e3o e Maldi\u00e7\u00e3o, [Belo Horizonte, MG: Bet\u00e2nia, 1991] 2a. edi\u00e7\u00e3o, 1992), entre outros.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">61 Esse \u00e9 o tema do livro de Rodovalho, Quebrando as Maldi\u00e7\u00f5es Heredit\u00e1rias. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt;\">62 Cf. Clinton Arnold, &#8220;Giving the devil his due&#8221;, em Christianity Today (Agosto de 1990) 16-19. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;O Que Voc\u00ea Precisa Saber sobre Batalha Espiritual&#8221;, na 2a. edi\u00e7\u00e3o, 1999, pela Casa Editora Presbiteriana <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0Augustus Nicodemus Lopes, doutor em Novo Testamento, \u00e9 professor de Exegese do Sem. Presbit. Jos\u00e9 Manoel da Concei\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo e Diretor do Centro Presbit. de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Andrew Jumper, S\u00e3o Paulo. 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